Divulgação/Lilium via Reuters
Lilium é uma das empresas de aviação que estão usando o 'IPO do cheque em branco' para alçar novos voos Divulgação/Lilium via Reuters

Conheça 4 startups que estão à frente na corrida pelo 'carro voador'

Neste ano, Joby, Lilium, Archer e Vertical anunciaram combinações de seus negócios com Spacs; assim, as quatro empresas devem levantar US$ 3,9 bilhões

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2021 | 05h01

Perto da reta final, a corrida pelo "carro voador" é liderada pelas startups. Fusões recentes com Spacs (companhias que primeiro abrem capital na Bolsa para, depois, buscar um projeto para investir) colocaram algumas empresas nas primeiras posições dessa corrida de bilhões de dólares. Apesar dos desafios enfrentados na certificação com os órgãos reguladores, projetos avançados nos aproximam cada vez mais da tecnologia que deve revolucionar a mobilidade urbana.

Neste ano, as americanas Joby e Archer, a alemã Lilium e a britânica Vertical anunciaram combinações de seus negócios com Spacs. Assim, as quatro devem levantar US$ 3,9 bilhões (R$ 20 bilhões). Conheça, abaixo, essas empresas que estão mais adiantadas no processo de lançamento do eVTOL (sigla em inglês para veículo elétrico de pouso e decolagem vertical, como é chamada oficialmente a aeronave).

Joby  

A americana Joby é tida como uma das startups com mais chance de se sair vitoriosa na corrida pelo “carro voador”. Não à toa, quando anunciou o processo de fusão com a Spac Reinvent Technology (liderada pelo cofundador do LinkedIn Reid Hoffman), sua avaliação de mercado chegou a US$ 6,6 bilhões

Para o centro de inovação da Lufthansa, não só o fato de a empresa ter tido muito mais acesso a capital até o ano passado a favorece, como também seu portfólio de tecnologias patenteadas. Isso deve dar acesso aos mercados e também protegê-la das concorrentes.

A Joby é ainda a empresa mais avançada no processo americano de certificação. Em fevereiro, anunciou ter concordado com a base G1 de certificação para suas aeronaves. Esse contrato fechado com o Federal Aviation Administration (FAA, o órgão regulador do setor aéreo nos EUA) estabelece os requisitos que devem ser cumpridos pela aeronave. Nenhuma outra companhia de eVTOL assinou esse documento nos EUA até agora. O caminho de certificação, porém, é longo, e ainda serão necessárias documentações que autorizam voos, fabricação e operação comercial.

Por e-mail, a empresa afirmou que suas parcerias são um de seus grandes diferenciais. Entre os investidores da startup estão a Toyota, que deve – segundo a Joby – auxiliar com sua expertise na fabricação, e o Uber, que detém experiência em compartilhamento de corridas.

Ainda segundo informou a empresa, o barulho de seu eVTOL não superará 65 decibéis quando estiver decolando (patamar um pouco superior ao de uma conversa normal). 

A empresa afirmou também que o maior desafio para colocar a aeronave em operação será a recepção dos consumidores. “Um dos principais desafios está relacionado à forma como nosso serviço é percebido pelo usuário. Não consideramos que a aceitação pública está garantida. Mas procuramos projetar uma aeronave e um serviço que seja bem-recebido pelas comunidades.”

Lilium

Com o design mais futurista dos eVTOLs divulgados até agora, a alemã Lilium também desenvolve o projeto mais diferente. A aeronave tem uma cabine para seis passageiros (as outras, para quatro) e poderá voar até 250 km – enquanto as concorrentes devem fazer distâncias mais curtas.

“A filosofia do nosso projeto é economizar tempo do modo mais acessível financeiramente possível. Queremos gerar impacto para o maior número de pessoas. Por isso, estamos criando uma aeronave maior, para diluir o custo da rota entre mais assentos”, diz o investidor e diretor estratégico da empresa, Alexander Asseily.

O executivo aposta no Brasil como um dos principais mercados para a companhia. “Estamos olhando o País de perto. O mercado de helicópteros brasileiro é um dos maiores do mundo, mas é limitado pelo preço e pelo barulho. A Lilium pode fazer esse transporte disponível não só para quem usa helicópteros, mas também para um grupo maior de pessoas.”

Assim como a Joby, a Lilium está um pouco à frente na corrida pelo “carro voador” por estar mais avançada no processo de certificação – nesse caso, ela está à frente na Europa. Em 2020, a European Union Aviation Safety Agency (a EASA, órgão equivalente à Anac brasileira) concedeu ao projeto da empresa o primeiro dos documentos necessários para voar.

Já neste ano, a Lilium anunciou fusão com a Spac Quell, liderada pelo ex-presidente da GM na América do Norte Barry Engle e, há pouco mais de um mês, divulgou que o diretor executivo da Airbus entre 2005 e 2019, Thomas Enders, passará a ser presidente do conselho da empresa quando o processo de fusão for concluído.

Archer

A americana Archer faz parte do grupo de startups que, apesar de ainda não ter seu “carro voador” pronto, pode se gabar de ter vendido as primeiras unidades. A empresa tem acertado um acordo para fornecer US$ 1 bilhão em eVTOLs para a United Airlines, com a possibilidade de aumentar esse contrato em mais US$ 500 milhões.

Além da United, a startup tem como sua parceira a Stellantis – grupo automotivo dono de marcas como Fiat, Chrysler, Peugeot, Citroën, Maserati e Jeep, entre outros –, que lhe dá acesso a uma rede de fornecimento de baixo custo, além de experiência em design e engenharia, segundo afirmou a própria Archer por e-mail. 

A lista de nomes reconhecidos internacionalmente que estão por trás da empresa continua: em fevereiro, a Archer anunciou sua fusão com a Spac Atlas Crest, encabeçada pelo banqueiro Ken Moelis, fundador do Moelis & Company. Nesse acordo, a startup foi avaliada em US$ 3,8 bilhões. Ela deve levantar US$ 1,1 bilhão. 

Também por e-mail, a empresa destacou que as tecnologias necessárias para colocar o “carro voador” no ar já existem e que, agora, trabalha para torná-las disponíveis no mercado. Segundo a companhia, seus eVTOLs vão operar com baterias cujo sistema de gerenciamento de temperatura permite um carregamento rápido e um ciclo de vida prolongado. Essas baterias, diz a Archer, “representam uma das muitas maneiras pelas quais estamos pegando a tecnologia aeroespacial existente e a adaptando para uso comercial em um futuro próximo”.

Sobre o processo de certificação, a Archer afirma pretender entregar as solicitações formais ao regulador este ano.

Vertical 

Apesar de ter sido avaliada como a menor empresa em valor de mercado (US$ 2,2 bilhões) entre as que anunciaram fusões com Spacs, a inglesa Vertical é a que tem os contratos de venda mais volumosos até agora. A startup anunciou ter fechado acordos que podem chegar a US$ 4 bilhões, com a possibilidade de entregar até mil unidades para American Airlines, Avalon (uma das maiores empresas de leasing de aviões do mundo) e Virgin Atlantic.

As três companhias que fizeram as encomendas, além da Rolls-Royce e da Honeywell, também estão investindo na startup por meio da Spac Broadstone (comandado pelos empresários Hugh Osmond e Marc Jonas, que lideraram a consolidação do segmento de pubs na Inglaterra, com 8 mil unidades).

O presidente da Vertical, Michael Cervenka, disse, por e-mail, que as pré-vendas e alguns acordos comerciais também já firmados fornecem à empresa uma “rota direta para o mercado”. “Por exemplo, esperamos trabalhar com a Virgin Atlantic para lançar uma joint venture de uma rede de eVTOL de curta distância com a marca Virgin Atlantic, incluindo operações e desenvolvimento de infraestrutura.”

O projeto da Vertical está em linha com o que as consultorias apontam como essencial para uma startup do setor prosperar, dado que vem sendo desenvolvido com vários parceiros. “Novo modelo de negócios é leve em ativos. Nos concentramos na criação de um ecossistema que é uma combinação de componentes-chave que criamos internamente e fortes parcerias estratégicas com líderes da indústria”, diz Cervenka.

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Certificação é desafio para startups que desenvolvem ‘carro voador’

Dificuldades no processo têm sido subestimadas, segundo especialistas, e temor é de que empresas não consigam cumprir exigências

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2021 | 05h00

Com projetos avançados para colocar no ar eVTOLs (sigla em inglês para veículo elétrico de pouso e decolagem vertical, como é chamado oficialmente o futuro “carro voador”), startups que estão desenvolvendo esses veículos devem encontrar no processo de certificação com os órgãos reguladores suas maiores dificuldades, segundo especialistas da área.

Em relatório de maio, o Morgan Stanley afirmou que os obstáculos da certificação são provavelmente subestimados. Essa dificuldade fez o banco reduzir suas projeções de tamanho de mercado do “carro voador” para 2040. Antes, a estimativa era de que todos os segmentos criados pela nova tecnologia (táxi aéreo, transporte militar, logístico e por companhias aéreas) movimentariam US$ 1,5 trilhão em 2040. Agora, o banco espera que esse número fique em US$ 1 trilhão.

Essa mudança não reflete pessimismo com a aeronave, mas indica que a massificação do veículo deve demorar mais por conta das dificuldades na certificação. “Investidores podem estar subestimando significativamente o potencial comercial do eVTOL. (...) Será preciso paciência nos primeiros anos, pois os obstáculos de certificação da aeronave também são provavelmente subestimados”, diz o documento do banco.

Das quatro startups do segmento ouvidas pelo Estadão, duas (a inglesa Vertical e a alemã Lilium) apontaram que o processo de certificação será a maior dificuldade que elas enfrentarão nos próximos meses. Todas essas startups têm contratado profissionais que já participaram da certificação de aeronaves de companhias como Boeing e Airbus para, assim, adquirir a expertise de lidar com os reguladores. Parcerias com empresas com experiência na área também têm sido fechadas.

“O maior desafio para todos os fabricantes de eVTOL hoje é a certificação. O desafio não é provar que a tecnologia funciona. Temos a tecnologia. Operamos com a expectativa de que as autoridades regulatórias serão avessas a riscos e não sucumbirão à pressão para adotar tecnologias novas e não comprovadas”, disse, por e-mail, Michael Cervenka, presidente da inglesa Vertical Aerospace.

A startup de Cervena, por exemplo, trabalha com a Rolls Royce (fabricante de motores e turbinas para a aviação) e com a Honeywell (que produz, entre outros, sensores e produtos de navegação). “Combinar a experiência delas com nossa equipe de engenharia significa que acreditamos ter um caminho rápido e de baixo risco para a certificação.”

O diretor estratégico da Lilium, Alexander Asseily, destaca que todas as peças do eVTOL precisam ter o aval dos reguladores, por isso a vantagem de trabalhar com empresas que já fabricam componentes para aeronaves. A Lilium também tem parceria com a Honeywell.

De acordo com o centro de inovação da Lufthansa, os órgão regulatórios já estão estabelecendo o caminho para a certificação dos “carros voadores”, mas ainda não se sabe se as startups serão capazes de cumprir com as exigências. O relatório da companhia destaca também, entre os desafios, a necessidade de desenvolver sistemas de gerenciamento de tráfego aéreo escaláveis e de uma ampla rede 5G para a operação autônoma dos veículos, além da capacidade de produção em massa.

Para a consultoria Deloitte, um facilitador para colocar o eVTOL em operação seria um sistema que não só gerenciasse o tráfego dessas aeronaves como também o dos aviões que operam hoje. Um documento da consultoria aponta ainda que as tecnologias em si estão amadurecendo rápido, mas as do sistema de energia são um fator limitante. O problema aqui não é só a capacidade da bateria, mas também a velocidade para recarregá-la. O Morgan Stanley é outro a destacar os impasses com a bateria, que necessita de uma capacidade muito maior do que a dos carros elétricos.

Há startups, porém, que dizem não estar preocupadas com esses itens, mas, sim, com a aceitação do público.

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Corrida pelo 'carro voador' chega mais perto da reta final, liderada por startups

Startups devem levantar R$ 20 bilhões em 2021, e disputa se aproxima da fase final

Luciana Dyniewicz, O Estado de S. Paulo

25 de julho de 2021 | 05h00

A corrida para colocar o “carro voador” em operação está se aproximando da etapa final. Até agora, mais de uma centena de empresas vem desenvolvendo pesquisas para criar um eVTOL (sigla em inglês para veículo elétrico de pouso e decolagem vertical, como é chamada oficialmente a aeronave). Mas fusões recentes com Spacs (companhias que primeiro abrem capital na Bolsa para, depois, buscar um projeto para investir) colocaram algumas startups nas primeiras posições dessa corrida de bilhões de dólares e nos aproximam da tecnologia que deve revolucionar a mobilidade urbana.

Além de chamar a atenção no mercado de capitais, as startups de “carros voadores” estão atraindo talentos e parceiros de setores mais tradicionais da economia. Executivos e engenheiros de empresas como Airbus, Embraer, Boeing, Ford, Rolls-Royce, Jaguar, Goldman Sachs e Morgan Stanley, entre outras, estão hoje por trás das startups. 

A disputa entre essas startups ganhou força mesmo no ano passado, quando começaram a surgir no setor investimentos de grande porte – sem os quais o desenvolvimento da tecnologia é inviável. Em relatório sobre o mercado de eVTOLS, o centro de inovação da Lufthansa destacou que empresas mais bem capitalizadas terão uma chance maior de chegar ao mercado primeiro. “Isso é ainda mais importante em uma indústria complexa, em que as startups necessitam de um capital mínimo de US$ 700 milhões a US$ 1 bilhão para desenvolver, certificar e comercializar com sucesso o táxi aéreo.”

A Lufthansa afirmou ainda que os investimentos de venture capital (capital de risco) feitos na americana Joby Aviation e na alemã Lilium – as duas receberam, no total, US$ 940 milhões em 2020 – as colocavam na pole position. A questão é que, nos últimos meses, o movimento de fusões entre startups de eVTOLs e Spacs embaralhou a disputa no setor e a elevou a outro patamar.

Neste ano, a Joby, a Lilium, a americana Archer e a inglesa Vertical anunciaram combinações de seus negócios com Spacs. Assim, as quatro empresas devem levantar US$ 3,9 bilhões (R$ 20 bilhões). A brasileira Embraer é outra que vem tentando uma fusão semelhante à realizada pelas concorrentes para desenvolver seu eVTOL, mas está em um estágio mais incipiente. Procurada, ela não quis falar sobre seu projeto.

Modelo de êxito

O consultor Marcus Ayres, sócio da Roland Berger que tem acompanhado o desenvolvimento de eVTOLs, diz ser difícil prever qual startup vingará, mas o modelo de negócios com mais chance é o de uma empresa que integra a cadeia de valor. Um relatório da Roland Berger aponta a Lilium e a Joby como as que estão indo melhor nessa direção.

A Joby, por exemplo, não deve ser apenas uma fabricante, mas também uma operadora – ela já pediu registro para isso. Por e-mail, a empresa afirmou que “operar um serviço de compartilhamento de caronas, em vez de vender veículos, é importante tanto para garantir a experiência ideal do cliente como para criar um modelo de negócios de receita recorrente atraente.” A Lilium, por sua vez, está planejando oferecer o que chama de “serviço de marca”.

De acordo com a Lufthansa, no entanto, haverá espaço para várias empresas vencedoras. Isso porque há diferentes projetos para demandas específicas – para voos dentro de cidades ou entre cidades, por exemplo. Além do volume de investimento que as startups receberem, a amplitude da rede e das parcerias dessas empresas – incluindo aqui governos, companhias de tecnologia, automotivas, aeroespaciais e aéreas – também será importante.

Não à toa, as startups de eVTOL têm anunciado parcerias com bastante frequência. A Eve, da Embraer, divulgou dez acordos com terceiros desde junho. A americana Archer, além de receber investimento da United Airlines, tem um acordo de cooperação com a companhia aérea para o processo de certificação com a agência que regula a aviação nos EUA e assinou contratos de até US$ 1,5 bilhão para fornecer eVTOLs à empresa.

A inglesa Vertical, por sua vez, terá a American Airlines como investidora e deve fornecer à companhia até 350 eVTOLs. Em nota, a American afirmou estar estudando como usará essas aeronaves em sua operação.

Ainda na avaliação da Lufthansa, estar entre as primeiras que colocam o “carro voador” no ar vai fazer diferença quando o mercado começar a se consolidar. Isso já foi verificado no segmento dos carros autônomos, em que os quilômetros rodados pelos veículos se tornaram o principal quesito na avaliação das empresas. O mesmo deve ocorrer com as fabricantes de eVTOLs, que também se preparam para realizar voos autônomos.

Prazo

Diante dessa preocupação e do fato de cronogramas apertados serem mais atraentes para investidores, as startups estão prometendo entregar aeronaves em 2024. Já a Embraer prevê seus primeiros eVTOLs para 2026. Na visão de Ayres, da Roland Berger, essa demora não necessariamente representa uma desvantagem – ao contrário do que afirma a Lufthansa. “Tem uma coisa que serve para a inovação em geral: nem sempre o primeiro é o vencedor. Certamente, o primeiro vai cometer erros, porque não terá com quem aprender.”

Se ainda é difícil apostar nos prováveis vencedores dessa corrida, especialistas e banqueiros destacam que é certo que veremos a tecnologia sair do papel nos próximos anos e criar um mercado de bilhões de dólares. Para a consultoria Deloitte, só nos EUA, esse mercado seria de US$ 17 bilhões em 2040. “Os participantes do ecossistema estão colaborando no desenvolvimento de uma estrutura regulatória robusta; e a tecnologia está avançando rapidamente”, diz um relatório da empresa.

O banco Morgan Stanley projeta que o setor movimentará globalmente US$ 9 trilhões em 2050, considerando não só a operação do eVTOL como táxi aéreo, mas também o uso para fins militares, logísticos e por companhias aéreas. “O nascimento do eVTOL em escala não é uma questão de ‘se’, mas sim de quando, como e o que deve ser superado no caminho”, diz documento do banco de maio.

Revolucionário: detalhes sobre o 'carro voador'

Modelo

O “carro voador” não se assemelha ao usado pelos personagens do desenho Jetsons. A aeronave está mais para um helicóptero e seu uso será compartilhado – você não terá um eVTOL próprio. Mesmo assim, a tecnologia não deixa de ser revolucionária

Combustível

Uma das principais diferenças entre eVTOL e helicópteros ou aviões é que ele será elétrico. Sem usar combustível de aviação, o impacto ambiental e o custo para operá-lo são reduzidos

Manutenção

As aeronaves estão sendo criadas para ser menos complexas que os helicópteros e, elétricas, demandarão menos manutenção, o que as torna mais baratas.

No caso dos helicópteros, a manutenção corresponde a 30% dos custos de operação. Mais acessíveis, os eVTOLS poderão ter a mesma popularidade dos aviões comerciais, dizem especialistas

Barulho

Mais uma vantagem do motor elétrico: ele é mais silencioso. Isso fará com que um maior número de aeronaves possa operar em grandes centros urbanos sem gerar poluição sonora

Segurança

Os projetos preveem vários sistemas redundantes nas aeronaves. Assim, caso haja algum problema com uma peça ou um software, há algo semelhante para substituí-lo. Especialistas afirmam que eVTOLs deverão ser mais seguros que helicópteros

‘IPO do cheque em branco’ é fonte de receita a startups

O fato de as startups de “carros voadores” estarem se aliando a Spacs (sigla para Special Purpose Acquisiton Company, ou empresa de propósito específico de aquisição, em português) provocou certa desconfiança, dado que, no exterior, grande parte das Spacs tem registrado desempenho negativo na Bolsa.

As Spacs se tornaram uma febre no ano passado e passaram a ser conhecidas como “IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) do cheque em branco”. Isso porque os investidores apostam nessas companhias acreditando que seus gestores encontrarão boas oportunidades de negócios, mas sem saber em que projeto os recursos serão investidos.

Para o consultor Marcus Ayres, sócio da Roland Berger que tem acompanhado o desenvolvimento de eVTOLs, a aposta em “carros voadores” é uma “tendência concreta”. “Temos algumas coisas que são movimentos que não voltam: a digitalização das empresas, o ESG (sigla em inglês para questões sociais, ambientais e de governança) e a eletrificação da mobilidade, por exemplo. O eVTOL é um filho de várias dessas tendências. O risco nesses investimentos é entre aspas, porque vai haver uma consolidação do setor, e a incerteza é referente apenas a quais empresas vencerão.”

O professor Michael Viriato, do Insper, destaca que, apesar de as Spacs terem um risco mais elevado para os investidores, as empresas de tecnologia também têm apresentado um risco mais alto, dado que muitas delas acabam não vingando. Por outro lado, as Spacs aceleram a chegada das startups ao mercado financeiro.

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