Conheça outro caso de intervenção do governo em construtoras

Nos anos 90, a construtora Encol teve ajuda de bancos estatais para tentar evitar sua falência

Da Redação,

21 de outubro de 2008 | 20h41

O governo anunciou na segunda-feira que vai disponibilizar capital de giro para as construtoras do País. Nos últimos anos, essas empresas se capitalizaram por meio de lançamento de ações na bolsa de valores, estabeleceram planos de investimento de longo prazo e gastaram o dinheiro na compra de terrenos. Agora, não conseguem capital de giro para tocar os projetos. Veja também:Consultor responde a dúvidas sobre crise  Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise   "Estamos montando um sistema para dispor esse crédito, que deve somar entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões para completar as obras", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele destacou que esse crédito poderá ser feito via BNDES, que já apresentou proposta ao setor, ou Caixa, por meio de participação acionária nas empresas. "Uma das duas medidas será tomada nos próximos dias." A intervenção anunciada não será a primeira de bancos estatais no setor. Um dos casos da participação do governo em construtoras é o episódio da falência da Encol, que começou em 1997. Veja abaixo a memória do caso: A empresa foi criada em 1961, quando o engenheiro Pedro Paulo de Souza, ex-dono de carrinhos de vender mate gelado no Rio, se uniu ao amigo Irapuã Costa Júnior para formar a Construtora Encol, em Brasília. Em 1987, ela se tornou a primeira do Brasil no setor, com 6,2 mil unidades em construção.  Em 1994, o Ministério Público abriu processo contra a empresa para apurar sonegação de impostos e emissão de notas fiscais frias. Em maio de 1995, os boatos de uma possível concordata começaram a circular no mercado. As dívidas já somavam US$ 220 milhões.Os problemas financeiros se tornaram públicos quando, em maio de 1995, a empresa renegociou parte de sua dívida com o Banco do Brasil, avaliada em R$ 106 milhões. A operação envolveu o Fundo de Pensão da Caixa Econômica Federal (Funcef), que comprou parte das ações da Encol no Hotel Renaissance em São Paulo. Irregularidades administrativas e alto endividamento de curto prazo em época de juros muito elevados, provocaram a crise financeira da companhia. As dificuldades financeiras da empresa resultaram em uma espécie de "intervenção branca" do Banco do Brasil, em outubro de 1996, que indicou um executivo para acompanhar a administração da empresa.  Em janeiro de 1997, um pool de 38 bancos se uniu para tentar uma solução conjunta para todos os credores e afastou o acionista majoritário da Encol, Pedro Paulo de Souza. Assumiu então o executivo Jorge Washington de Queiroz. Em agosto, porém, Souza decidiu virar a mesa e destituiu do cargo o interventor, por meio da diretoria da empresa. No mesmo ano, uma auditoria da Deloitte Touche Tohmatsu, feita a pedido dos credores, apontou evidências de sonegação de impostos, indícios de desvio de dinheiro e uso de caixa dois.  O pedido de concordata da Encol foi feito em 24 de novembro de 1997. Na ocasião da concordata, estavam paralisadas 710 obras e 42 mil mutuários esperavam a entrega de apartamentos, muitos deles já quitados e a dívida da empresa era avaliada em cerca de R$ 1,8 bilhão. A primeira parcela da concordata deveria ter sido paga em novembro de 1998, mas isso não ocorreu. Em março de 1999, a Justiça decretou a falência da empresa. Mais tarde, Pedro Paulo de Souza foi condenado a quatro anos e dois meses de reclusão por fraude contra a Caixa Econômica Federal (CEF).

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