Cônjuges têm dificuldade para encontrar emprego no exterior

Maridos e mulheres de quem conquistou uma vaga em outro país temem colocar em risco as suas carreiras

Tanya Mohn, do The New York Times, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

As missões de trabalho no exterior parecem mais animadoras depois da recessão. O problema das empresas, agora, são os "acompanhantes". Maridos e mulheres de quem conquistou uma vaga em outro país enfrentam dificuldades para encontrar emprego.

Uma pesquisa da Brookfield Global Relocation Services mostra que 61% das empresas entrevistadas esperam transferir em 2011 um número maior de funcionários para o exterior do que nos últimos anos, superando a média histórica de 57%. Mas apenas 15% dos cônjuges que tinham um emprego antes de mudar de país foram capazes de encontrar trabalho no exterior - 10% a menos do que em 2006.

Scott Sullivan, vice-presidente executivo da Brookfield, disse que, no atual clima de incerteza do mercado de trabalho, os cônjuges "acompanhantes" têm se mostrado especialmente relutantes em desistir de empregos em seu país de origem, por causa dos riscos ao desenvolvimento de suas carreiras.

A falta de oportunidades de emprego no exterior para os cônjuges "não representava um desafio tão grande às empresas há 20 ou 30 anos", disse Sullivan. Com a ascensão dos casais formados por duas carreiras, o problema passou a afetar a todos, ganhando novas proporções.

Há duas décadas, os pacotes de compensação financeira para famílias expatriadas eram mais robustos, com melhores salários e benefícios como motoristas, filiações a clubes e passagens de primeira classe para as viagens de volta nos momentos de folga, de modo que os cônjuges podiam optar por não trabalhar.

Uma segunda pesquisa divulgada este mês pela Mercer, firma internacional de consultoria em recursos humanos, constatou que um número cada vez maior de multinacionais oferece algum tipo de apoio ao cônjuge, que inclui a ajuda na busca por um emprego. "Isso se tornou um serviço obrigatório de apoio estratégico", disse Susan R. Ginsberg, vice-presidente de serviços globais da Ricklin-Echikson Associates. Durante as negociações, a oferta desse tipo de ajuda pode ser "fundamental para garantir que a questão não inviabilize o acordo".

Navdeep Boparai, nascida na Índia, mudou-se recentemente para Houston acompanhando o marido britânico. Ela trabalhava como auditora na Deloitte, e espera encontrar emprego parecido no novo país. A empregadora do marido dela, do setor energético, terceirizou a tarefa. Mesmo antes da mudança, uma consultora ajudou Navdeep a escrever um currículo no formato americano, com dicas sobre o mercado de trabalho local, salários e entrevistas.

Cultura diferente. A indiana disse que não tem sido fácil se ajustar. "A cultura é completamente diferente. Aqui, o trabalho é a vida, é aquilo que os define." Ela disse que gostaria de saber com antecedência o que esperar. "Caso contrário", disse ela, "as coisas poderiam ter sido um pouco desastrosas".

Para os cônjuges em busca de um trabalho num novo país, as questões culturais, a barreira do idioma e até os problemas de licenciamento e autorização para trabalhar são obstáculos comuns.

A insatisfação conjugal entre os expatriados é o principal motivo do fracasso das missões, de acordo com muitos especialistas. Um reassentamento fracassado ou um retorno antecipado ao país de origem pode custar até US$ 1 milhão. Este número é multiplicado com as mudanças em grupo, que representam uma tendência ascendente. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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