Conjuntura favorece queda do juro real, aponta especialista

O Brasil deve aproveitar o conjunto de fatores positivos como dólar em queda, liquidez internacional e economia interna favorável para reduzir a taxa de juro real, que eleva a dívida pública do País. "A dívida pública (brasileira) é preocupante. É importante aceitarmos que o ritmo de queda do processo inflacionário tem de ocorrer, mas não com o custo enorme de se elevar a dívida", disse Carlos Thadeu de Freitas, professor do Ibmec, em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News". O Banco Central brasileiro, aponta o economista, deve "guardar munição" para épocas mais difíceis. "O dólar está barato, os juros nos EUA estão baixos, mas isso vai mudar", complementa. Ao adotar uma política de metas de inflação ambiciosa, o BC, aponta Freitas, colocou-se em uma "armadilha" da qual não consegue sair. "A meta de inflação muito ambiciosa levou o Banco Central a praticar juros reais excessivamente altos. Dificilmente a meta de 5,1% será atingida, porque este ano não dá tempo", prevê. Mantendo a meta ambiciosa, segundo o professor, o BC mantém juros reais altos, o que ajuda a empurrar para baixo a cotação do dólar. Com a moeda em baixa, o BC compra dólar no mercado, aumenta a liquidez que, por sua vez, eleva o crédito gerando o processo inflacionário. Aumentar os juros, disse Freitas, não soluciona o problema da inflação. O governo também deve cumprir o seu papel. "O governo também deveria contribuir fazendo um ganho fiscal para ajudar o BC na política econômica", aconselhou. O economista calcula que, no ano passado, o Executivo aumentou em 18% os gastos reais. Sobre a decisão do Banco Central, que anunciou ontem que atuará mais no mercado para reduzir o tamanho da dívida do governo corrigida pelo câmbio, Freitas ressalta que, ao tentar controlar a dívida, o BC tende a colocar mais reais no mercado e, conseqüentemente, "haverá mais pressões" sobre a inflação. "Assim, o banco pode alegar que não terá condições de baixar os juros mais rapidamente." Uma das alternativas apontadas por Freitas para reduzir a dívida pública seria alongar o perfil, colocando no mercado títulos prefixados. "Mas enquanto o Copom estiver soltando atas terroristas sobre aumento de juros não haverá demanda suficiente para esses papéis."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.