Conjuntura preocupa até mesmo as empresas mais rentáveis

A conjuntura de instabilidade financeira e baixo crescimento está preocupando até mesmo algumas das 12 empresas no seleto grupo das mais rentáveis e com menor endividamento, agraciadas hoje com o prêmio da Fundação Getúlio Vargas de Excelência Empresarial. A dúzia de premiadas teve uma rentabilidade média de 28,8% em 2001 contra a média de 5,7% das 500 maiores empresas brasileiras. Mesmo nesse grupo privilegiado, o atual cenário é desconfortável para a maioria delas.A Mahle Metal Leve, por exemplo, que está investindo US$ 30 milhões este ano, investirá só US$ 20 milhões no ano que vem. "Vamos reduzir o investimento por causa do pouco crescimento do mercado brasileiro e mundial, principalmente o dos Estados Unidos, que é nosso maior mercado para exportações", disse o diretor presidente da companhia, Claus Hoppen. Ele também afirmou que a empresa está tendo dificuldade para fechar operações de câmbio, que no seu caso são de curto prazo, por falta de recursos externos para o Brasil. Cerca de 50% das operações da empresa no País são para exportação.Outro que reclamou da falta de financiamentos no exterior para o Brasil foi o diretor superintendente da Distribuidora de Produtos de Petróleo Ipiranga, Alfredo Lisboa Ribeiro Tellechea. Além disso, Tellechea afirmou que "o mercado caiu um pouco no segundo semestre e está havendo uma retração de mais ou menos 3% nas vendas". A empresa espera que essa queda seja passageira. "Na medida em que o quadro político se defina, a sociedade deve ser vista como mais segura e voltar a ter linhas de financiamento", disse o executivo. Apesar disso, a distribuidora da Ipiranga tem a perspectiva de investir no ano que vem, os mesmos R$ 200 milhões que este ano. A Latasa, cujos investimentos somarão US$ 100 milhões entre 2001 e 2002, vai dar um intervalo e só retomará os investimentos no fim do ano que vem, em cerca de US$ 25 milhões. "Vamos dar uma parada porque já investimos muito e isso é um plano de longo prazo, não por causa da conjuntura", explicou o presidente da empresa, José Carlos Martins. No entanto, ele observou que a grande volatilidade financeira atual faz a companhia "rever os planos a toda a hora". Martins disse que a lata é altamente sensível à variação do câmbio, que afeta a demanda. Por outro lado, comentou que os efeitos das turbulências são diminuídos pelo fato de a lata produzida pela Latasa ser um produto de consumo de massa e pela empresa estar ganhando participação de mercado.Já o presidente da Souza Cruz, Flávio de Andrade, comentou que "o câmbio elevado não ajuda ninguém, nem o exportador". De acordo com ele, no curto prazo o câmbio é bom para a Souza Cruz como empresa exportadora, mas no médio prazo, o alto preço do dólar deve provocar inflação nos custos da empresa. "E os importadores tendem a querer esse benefício do câmbio (como desconto) nos preços pagos por eles", disse.O diretor comercial da Refinaria de Petróleo de Manguinhos, Luiz Henrique Sanches, reclama que, segundo ele, o mix de produtos derivados de petróleo no Brasil está com uma defasagem entre 15% e 20% nos seus preços. De acordo com ele, os preços praticados hoje no Brasil estão no mesmo patamar de julho, quando se tinha por base o cenário de junho, com o barril de petróleo a US$ 22 e o dólar a R$ 2,50. "Agora com o dólar a R$ 3,10 e o barril de petróleo em US$ 27 e US$ 28, é outra coisa", disse. Segundo Sanches, os efeitos dessa diferença no resultado da empresa depende do tempo em que essa diferença durar, mas o resultado mensal vai ser afetado.Já o diretor executivo da Gerdau, Francesco Saverio Merlini, não reclama de nada. Para ele, a empresa, que tem investimentos no exterior, está tendo um segundo semestre muito bom, "melhor que o primeiro" e deve crescer entre 5% e 6% este ano. "Crises vão e vem, vem e vão. Crises são oportunidades", afirmou. As outras empresas que ganharam o prêmio da FGV foram a mineração Rio do Norte, a Deten Química., a Telemat Celular, a Votorantim Celulose e Papel, a Cimento Tocantins, e a Nestlé.

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