Conlutas assume o sindicato dos metroviários

Central tira do poder a CTB, apoiada pela CUT, ganha uma das entidades mais sensíveis às negociações e reforça base sindical

Paula Pacheco, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2010 | 00h00

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo mudou de mãos no fim de semana. Com a derrota eleitoral da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras (CTB), a entidade passa às mãos da CSP-Conlutas, ligada ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), que disputou o comando com o apoio da Intersindical e Independentes. A CTB se coligou à Central Única dos Trabalhadores (CUT). A chapa 2 venceu com 53% dos votos.

A CTB estava à frente do sindicato há cerca de 20 anos. Sua base tem em torno de 8.700 trabalhadores - pelo menos 6.300 são sindicalizados. A posse da nova diretoria está marcada para novembro.

Apesar de não ter uma das maiores bases de trabalhadores do Estado, o Sindicato dos Metroviários é um dos mais temidos na negociações por envolver o transporte coletivo da maior cidade da América Latina. Os trens do metrô paulistano transportam por dia cerca de 3 milhões de pessoas.

A Conlutas é a central com mais nomes na nova diretoria, mas o presidente Altino de Melo Prazeres Júnior diz que ainda é cedo para saber a qual central, das que formam a coligação, o sindicato vai se filiar. A escolha será feita por meio de plebiscito entre os sindicalizados.

A data-base dos metroviários de São Paulo é 1.º de maio. Apesar de ainda estar longe do início da campanha, Melo diz que um dos pontos da pauta de negociação será o pedido de aumento real. Neste ano, os trabalhadores tiveram apenas a reposição da inflação dos últimos 12 meses, 5,05% de aumento.

"A princípio, acreditamos ser possível negociar com o governo e a direção da empresa sem enfrentamento", pondera o novo presidente. Mas sabe-se que, por tradição, os sindicatos ligados à Conlutas costumam ter menos jogo de cintura nas negociações do que as outras centrais.

Investimento.Segundo Melo, uma das bandeiras da nova diretoria do sindicato será a defesa de um pacote de investimentos para a ampliação do metrô da cidade. "Ao contrário do que muitos falam, o que temos hoje é a marca do atraso. A expansão é necessária, ainda mais quando se fala de grandes eventos que ocorrerão no Brasil, como a Copa do Mundo e a Olimpíada", afirma o sindicalista.

Além disso, o novo presidente da entidade defende a contratação de funcionários. "Todo mundo faz muita hora-extra, especialmente os seguranças. O fato é que falta gente para trabalhar no metrô", analisa.

De acordo com Melo, que é operador da linha Norte-Sul do metrô há 16 anos, a ocupação dos vagões (por metro quadrado) é uma das mais altas do mundo. No início do mês, foi batido um novo recorde, com 3,794 milhões passageiros passando pelas catracas das 57 estações das quatro linhas da empresa.

PARA ENTENDER

A Conlutas ganha um reforço importante ao vencer a eleição do Sindicato dos Metroviários. A central tem 140 sindicatos e 2 milhões de trabalhadores na base. Nesse contexto, os metroviários passam a ser uma das representações mais importantes, não só pelo número de sindicalizados, mas pela importância política, já que o metrô paulistano é uma estatal. O modal é o segundo no mundo em número de passageiros transportados em relação à extensão da rede. Perde apenas para o de Tóquio. Juntas, as quatro linhas fazem em média 3.535 viagens diárias com 828 carros.

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