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Conrado Engel troca o HSBC pelo Santander

Banco espanhol continua reestruturação de seu corpo executivo, com a saída de mais um vice-presidente que a instituição 'herdou' do Real

O Estado de S.Paulo

21 de março de 2012 | 03h03

O banco espanhol Santander deu ontem continuidade à reestruturação de cargos em sua operação brasileira. A mudança resultou na saída de mais um executivo da "era" Real e na contratação de Conrado Engel, que deixou a presidência do HSBC Brasil na segunda-feira, e agora assume o comando da área de varejo do banco espanhol.

A saída de Engel do banco inglês foi recebida com surpresa pelo mercado financeiro. A decisão foi tomada sem que o HSBC tivesse tempo para definir um substituto para o principal cargo da operação brasileira.

No Santander, Engel vai substituir José Berenguer Neto, outro homem de confiança de Fábio Barbosa, executivo que presidiu tanto o Santander quanto o Real, que foi comprado pelo banco espanhol em 2007. Berenguer Neto deixa a instituição em direção à Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga.

Ontem, o banco espanhol anunciou oficialmente também a saída de Fernando Martins, vice-presidente executivo de marca e marketing e outro executivo ex-braço direito de Barbosa - Martins trabalhou no Real e no Santander por 24 anos. Ele será substituído pelo espanhol Juan Manuel Hoyos, que trabalhou por 30 anos na consultoria McKinsey e está no Santander desde 2004.

'Sangria'. A saída de executivos, no entanto, já era esperada desde agosto do ano passado, quando Barbosa deixou definitivamente a instituição, após 16 anos de atuação, em direção ao Grupo Abril. Na verdade, os homens fortes do Real sabiam que uma mudança profunda estava prevista há mais tempo, desde dezembro de 2010, quando o executivo brasileiro foi substituído pelo espanhol Marcial Portela.

A permanência de Fábio Barbosa na presidência da instituição após o Santander comprar o Real foi vista, à época, como um movimento atípico pelo mercado. Em processos de fusão e aquisição, especialmente os que envolvem conglomerados internacionais, é mais comum que o comprador nomeie um executivo da matriz para tocar a nova operação.

No entanto, a instituição optou por uma lenta integração de sua rede - os executivos brasileiros foram mantidos no comando até que esse processo fosse concluído. Nesse ínterim, o Santander também realizou sua bem-sucedida oferta pública de ações (IPO) e levantou R$ 14,1 bilhões. Barbosa passou o bastão para Portela semanas depois da conclusão da extinção das redes de agências e da marca Real. Alguns produtos e serviços da instituição, como o serviço premium Van Gogh e o uso do cheque especial por dez dias sem o pagamento de juros, foram mantidos pela nova administração.

Prioridade. Em um período de sérias dificuldades da economia espanhola, que sofre com altas taxas de desemprego e crescimento baixo, o Brasil é tratado cada vez mais como prioridade dentro do banco. Em dezembro, o presidente do Santander Brasil, Marcial Portela, declarou que a operação local deverá ampliar sua participação nos lucros gerais da instituição de 25% para 30% nos próximos dois anos.

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