Kevin Lamarque/Reuters
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EUA e China rompem impasse e fecham ‘fase 1’ de acordo para suspender tarifas

Plano prevê corte de tarifas que Trump ameaçava impor a produtos chineses, enquanto Pequim se compromete a comprar mais de agricultores americanos; anúncio traz alívio, mas analistas dizem que ‘grau de satisfação’ depende de mais detalhes

Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2019 | 12h36
Atualizado 13 de dezembro de 2019 | 22h09

Os Estados Unidos e China anunciaram nesta sexta, 13, ter chegado a um acordo que promete distensionar a guerra comercial travada entre as duas potências desde o início de 2018. Pelos termos anunciados, Washington concordou em reduzir parte das tarifas impostas a produtos chineses e Pequim se comprometeu com a compra de produção agrícola americana. O anúncio – feito pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no Twitter, e pelo governo chinês – animou o mercado financeiro, mas ainda é visto com cautela por analistas e produtores.

As tarifas de 25% impostas a US$ 250 bilhões em produtos da China continuarão em vigor, mas os EUA reduzirão de 15% para 7,5% a sobretaxa a US$ 110 bilhões de importações do país asiático, imposta em setembro. Os EUA também cancelaram uma nova leva de tarifas que entraria em vigor amanhã e afetaria US$ 156 bilhões em produtos chineses. O presidente americano comemorou como uma vitória o acordo e disse que Pequim vai comprar o equivalente a US$ 50 bilhões em produtos agrícolas dos EUA, mas a China não detalhou valores até o momento.

Trump disse que as tratativas para a “fase 2” do acordo comercial com a China começarão imediatamente e que a “fase 1” é “um acordo fenomenal”. A menos de um ano da disputa presidencial de 2020, Trump tem sido pressionado pelos agricultores do Meio-Oeste, que sofreram com a retaliação chinesa às tarifas impostas pelos EUA. O valor de produtos agrícolas exportados para a China caiu de US$ 19,5 bilhões, em 2017, para US$ 9,2 bilhões em 2018.

O Brasil tem substituído os EUA na exportação de soja para a China. Em contrapartida, os produtores americanos tiveram de aumentar o estoque do grão desde a entrada em vigor da primeira leva de tarifas. O impacto do acordo comercial para as exportações brasileiras dependerá de quanto os chineses comprarem dos americanos. O texto elaborado da chamada “fase 1” do acordo ainda precisa ser revisto pelos dois países antes de ser assinado e divulgado.

“O grau de satisfação vai depender dos valores envolvidos em comércio, mas o anúncio por si só é um alívio imenso”, disse Tarso Veloso, analista baseado em Chicago da ARC Mercosul, consultoria de commodities.

Os agricultores veem com incerteza os anúncios de Trump. Em setembro, o presidente chegou a anunciar que havia concluído a “fase 1”, mas pouco depois sugeriu que a disputa de tarifas poderia se estender para depois da eleição de novembro de 2020.

“A informação inicial é muito positiva, mas nós já estivemos nessa estrada algumas vezes antes e vimos tudo desabar depois. Então, temos de dar mais tempo para ver como isso se desenrola”, afirmou o presidente da União Nacional dos Fazendeiros, Roger Johnson.

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