Conselhão faz primeira reunião do novo governo

Órgão passou a ser liderado por Wellington Moreira Franco, do PMDB, que queria mais prestígio no Executivo

Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2011 | 00h00

A primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo Dilma Rousseff foi realizada já sob a batuta do ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Wellington Moreira Franco, do PMDB, que queria aumentar o prestígio do cargo e dar mais robustez à pasta, sem qualquer importância política. Moreira Franco, que dava sinais ao Planalto de sua insatisfação com o minguado ministério que comanda, conseguiu tomar do PT o chamado Conselhão, que é integrado por diversos segmentos da sociedade.

Apesar de nomeado pelo Diário Oficial de ontem como novo secretário-geral do Conselho e de ter aberto a reunião, o brilho do encontro ficou por conta da fala de outros três ministros: Guido Mantega, da Fazenda, Alexandre Tombini, do Banco Central, e Antônio Palocci, da Casa Civil. Os dois primeiros falaram de inflação e o terceiro falou sobre a concessão de aeroportos. A presidente Dilma também fez um importante discurso no encerramento da reunião.

Na segunda-feira, ao tomarem conhecimento da mudança que ia ser feita para atender ao apetite peemedebista, com a transferência do Conselhão da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) para a SAE, houve "apreensão" e "nervosismo" entre os conselheiros, que passaram o dia trocando telefonemas. Um dos conselheiros, Antoninho Marmo Trevisan, comentou que "havia uma preferência de ficar onde estava porque o entendimento era de que, estando o Conselho na SRI, haveria um maior impulso na relação política por causa da proximidade do órgão consultivo com o Legislativo". Mas agora, reconheceu, "a tensão passou". "Rei morto, rei posto e acho que está tudo resolvido", atestou.

O ministro Moreira Franco, por sua vez, negou, em entrevista, que tenha exigido que sua pasta ganhasse mais musculatura política. "Não houve compensação. Política não se faz usando este tipo de verbo", disse.

Desejo

ANTONINHO MARMO TREVISAN

CONSELHEIRO DA SAE

"Havia uma preferência de ficar onde estava porque o entendimento era de que, estando o Conselho na SRI, haveria um impulso na relação política."

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