Conselheiro da Petrobras defende volta da conta petróleo

Membro do Conselho de Administração da Petrobras na vaga reservada a trabalhadores, José Maria Rangel critica a venda de ativos feita pela companhia, especialmente os nacionais. Na reunião de conselho da última sexta-feira, 16, foram aprovadas vendas somando US$ 2,1 bilhões, incluindo participação em campos no Parque das Conchas, na Bacia de Campos, à chinesa Sinochem.

SABRINA VALLE, Agencia Estado

22 de agosto de 2013 | 14h17

Rangel, líder sindical, defende a preservação das reservas de petróleo por uma questão de soberania nacional e a manutenção de ativos no Brasil para geração de empregos no País e desenvolvimento da indústria.

Ele votou contra a venda de participação na petroquímica Innova e no Parque das Conchas. A região, diz, produz para a Petrobras 11 mil barris por dia e a participação foi vendida por US$ 1,54 bilhão. "Fazendo as contas, é um investimento que se pagará em pouco tempo", disse. Atualmente, a cotação do barril tipo Brent está em US$ 110.

Sobre reajuste de combustíveis, o conselheiro reafirma que decisões sobre data e porcentual não são tomadas em reunião de Conselho de Administração. Diz que a Petrobras precisa de fôlego, diante de uma defasagem de preços dos combustíveis que o mercado estima estar em 30% em relação à média internacional.

Ele propõe duas saídas. A primeira é a recriação da antiga "conta petróleo", extinta em 2002, que transferia para o Tesouro o ônus de um subsídio ao preço de diesel e gasolina. Hoje, o prejuízo, por absorver a alta no mercado internacional e evitar um impacto na inflação, está concentrado na Petrobras. O Centro Brasileiro de Infraestrutura estima o prejuízo em R$ 700 milhões ao mês.

A segunda proposta seria que distribuidoras de combustíveis privadas, incluindo as multinacionais, rateassem com a Petrobras o prejuízo com a defasagem, reduzindo a margem de lucro. "A Petrobras tem 47% do mercado. Existem os outros 53%. As distribuidoras compram combustível das refinarias da Petrobras pelo mesmo preço. Deveria haver um rateio", defende.

Rangel não comenta a posição de outros conselheiros. Diz apenas que não houve votação sobre o assunto em nenhum dos casos. O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, apurou que, pelo menos no caso da conta petróleo, há outros conselheiros dispostos a debater a questão. E qual é a chance de aumento ou de essas propostas serem implementadas? "Não sei o que vai ser feito, mas algo vai ser feito. A Petrobras precisa muito de fôlego".

Representante dos trabalhadores no conselho, ele também é coordenador-geral do Sindipetro-NF e despacha na Federação Única dos Petroleiros (FUP). É radicalmente contra a realização do leilão do prospecto de Libra, na camada pré-sal, já autorizada pelo governo e organizada pela ANP. No próximo dia 30 haverá uma paralisação de um dia organizada pelas centrais sindicais contra a licitação.

"Libra é bilhete premiado, já se sabe que tem petróleo lá. Vamos tentar barrar o leilão", disse.

Rangel lembra que a lei permite o repasse da área à Petrobras sem leilão e sem participação de empresas estrangeiras. A licitação será em 21 de outubro e o bônus de assinatura será de R$ 15 bilhões, montante que ajudará o governo a cumprir a meta de superávit fiscal.

"Infelizmente, o que o governo quer são os R$ 15 bilhões para fechar as contas. É um pensamento de curto prazo ", disse.

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