SERGIO MORAES/REUTERS
SERGIO MORAES/REUTERS

Conselheiro propõe que Petrobras congele preços de combustíveis por 45 dias

Segundo Francisco Petros, período serviria para estatal buscar uma nova fórmula para os reajustes, em um trabalho conjunto com o governo e o setor de combustíveis

Mônica Ciarelli e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2022 | 17h08

RIO – O conselheiro da Petrobras Francisco Petros encaminhou nesta sexta-feira, 17, uma carta propondo um congelamento de 45 dias nos preços da estatal e a criação de um grupo de trabalho com representantes da empresa, do mercado de combustíveis e do governo para buscar uma nova fórmula de reajuste para os combustíveis. 

Em contrapartida, como sinal de “boa fé”, o governo se comprometeria a manter a atual governança da companhia, com a retirada da lista de novos nomes para o conselho de administração, incluindo o  secretário de desburocratização do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade, indicado para substituir o presidente José Mauro Coelho.

Mudanças recentes no comando da Petrobras, segundo Petros, representaram “um fator enorme de instabilidade para a gestão da empresa e para a própria solução do tema dos aumentos”.

Acalmando os ânimos

A carta, enviada por Petros para o ministro das Minas e Energia, Adolfo Sachsida, da Casa Civil, Ciro Nogueira, e ao presidente da companhia, tem por objetivo amenizar os ânimos entre o governo e a estatal, após um novo aumento de preços para a gasolina e o diesel, que nesta sexta-feira foram elevados em 5,2% e 14,2%, respectivamente. Os outros membros do conselho de administração também receberam uma cópia do documento.  

Segundo uma fonte ligada ao processo, a diretoria da empresa iria se reunir na tarde desta sexta-feira, 17, para avaliar a proposta do conselheiro. A empresa, porém, não confirma.

"Acreditamos que o que aqui se propõe pode restabelecer o ambiente saudável de relacionamento institucional da Petrobras com seu principal acionista, bem como, restabelece a normalidade da gestão na busca de soluções úteis ao Brasil, suas instituições e a sociedade, as empresas e todos os stakeholders da Petrobras", diz. 

‘Momento difícil’

No documento, ao qual o Estadão/Broadcast teve acesso, o conselheiro lembra que o setor passa por um “momento difícil” por conta das instabilidades geopolíticas decorrente da guerra entre a Ucrânia e a Rússia e admite que ser desafiadora a administração dos  impactos sobre os preços dos combustíveis e de energia, sobretudo sobre os mais pobres. 

O conselheiro elogia as iniciativas de redução da carga tributária, mas avalia que são medidas ainda insuficientes para conter o impacto da elevação dos preços na cadeia produtiva e de negócios da Petrobras.

Por outro lado, destaca que existe uma “há uma notável incompreensão sobre a necessidade concreta de a Petrobras praticar preços que permitam a manutenção do abastecimento em um ambiente de rigidez do funcionamento do mercado”, diz a carta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.