Conselheiros divergem de como Petrobrás deve vender ativo

A Petrobrás está próxima de fechar a venda de mais um ativo como parte de seu plano de desinvestimento, que, ao todo, somará US$ 9,9 bilhões até 2017. O negócio, aprovado com restrições pelo conselho de administração da estatal, depende ainda do parecer de um segundo banco sobre o valor do ativo, que deve ser concluído no prazo de um mês. Silvio Sinedino, conselheiro representante dos funcionários, conta que a exigência partiu dele e dos representantes dos acionistas minoritários, José Monforte e Mauro Cunha, em mais um episódio de desentendimento com o grupo de conselheiros indicado pelo governo federal.

ANTONIO PITA, FERNANDA NUNES/RIO, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2014 | 02h03

O argumento dos três conselheiros é que, com o modelo atual de venda, a estatal não alcançará os melhores preços e comprometerá a transparência das negociações, exatamente em um momento de acusações de corrupção na companhia.

A defesa de Sinedino é pelo modelo de licitações e não de carta convite, como está sendo adotado, em que um banco é contratado para comandar o negócio, definir o valor do ativo e compará-lo às propostas apresentadas pelas empresas. Pelo modelo atual, ressalta, a Petrobrás perde a chance de promover mais concorrência e conseguir preços melhores. Diante da resistência dos conselheiros indicados pelo governo em alterar o modelo de negócios, o consenso foi pela contratação de um segundo banco avaliador do ativo, disse Sinedino: "Todo o mercado sabe que a Petrobrás está em situação de constrangimento financeiro e que vai se esforçar para vender os seus ativos. Anunciar o programa de desinvestimento não é um bom negócio".

Banco avaliador. Ele conta que na reunião em que a venda do ativo foi anunciada os conselheiros representantes do governo chegaram a comemorar a proposta apresentada, por superar o valor considerado justo pelo banco avaliador. Mas tiveram que voltar atrás e acatar a contratação de nova consultoria quando os três conselheiros exigiram a segunda avaliação.

A contestação recebeu o apoio do presidente do conselho de administração, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, segundo Sinedino. Ele teria concordado também que a licitação seria o meio mais rentável para a estatal. Mas foi voto vencido pelo restante do conselho, sob o argumento de que o processo levaria tempo demais e que a empresa perderia uma grande oportunidade de se desfazer de um negócio a um preço acima do considerado pelo banco avaliador.

No cálculo da validade do negócio, a medida utilizada foi a geração de caixa, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Foram comparados quantos Ebitdas foram gastos na compra da unidade e quantos seriam pagos por ela. Pela avaliação do banco, a relação é favorável à companhia, ou seja, o valor da venda será maior do que o de compra. Mas, na visão do representante dos funcionários no conselho, é possível que esse não seja o mais correto.

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