WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Conselho da Petrobrás aprova venda de ativos da TAG

Empresa que opera os gasodutos da estatal é a primeira da lista de desinvestimentos; diretoria também discutiu o preço dos combustíveis e descartou aumento da gasolina

MARIANA DURÃO, O Estado de S. Paulo

27 de julho de 2015 | 20h49

A reestruturação e venda de ativos da Transportadora Associada de Gás (TAG), que opera os gasodutos da Petrobrás, foi aprovada pelo conselho de administração da estatal na reunião da última sexta-feira, 24, apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

A diretoria também apresentou o cronograma para a oferta pública inicial de ações (IPO) da BR Distribuidora, prevista para ocorrer ainda este ano, e discutiu a questão dos preços dos combustíveis. A avaliação é que não há condições de mercado para um reajuste da gasolina no momento, embora o conselho considere que a medida seria uma prova de independência em relação ao governo.

A Petrobrás ainda opera com preços favoráveis do lado do diesel, mas já enfrenta alguma defasagem em relação aos preços internacionais no caso da gasolina. Apesar disso, a análise é que com a alta do dólar e a queda no consumo interno da gasolina no País um reajuste agora seria irracional.

"O conselho gostaria de aprovar um aumento para mostrar sua independência, mas isso não pode ser feito a qualquer custo", diz uma fonte. 

O presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, falou por cerca de dez minutos sobre a reestruturação da Sete Brasil, empresa criada para gerenciar a compra de sondas para a petroleira. A aprovação deve entrar em pauta na próxima reunião do conselho, no fim do mês que vem. 

De acordo com uma fonte, foi um relato com informações superficiais sobre exigências feitas pela Petrobrás à empresa do ponto de vista de 'compliance' e sobre investigações internas conduzidas pela companhia. A Sete Brasil apresentou um plano de reestruturação aos seus principais credores em maio, mas a Petrobrás ainda não deu seu aval.

O executivo teria informado que a previsão é de redução do número de encomendas de sondas de 29 para 19. Bendine não mencionou a hipótese da Sete se tornar operadora das sondas, proposta que havia sido feita no âmbito da reestruturação da empresa mas com a qual a estatal não teria concordado.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, foi um dos membros do conselho presentes à reunião. A concessão de um financiamento do banco à empresa é um dos pontos fundamentais para sua retomada. O empréstimo ficou travado no BNDES desde as denúncias de corrupção envolvendo o ex-gestor da empresa Pedro Barusco. 

Desinvestimentos. Braço da subsidiária Gaspetro responsável pela rede de gasodutos da estatal, a TAG é o primeiro ativo na lista de desinvestimentos da Petrobrás. O plano de negócios da empresa prevê a venda de US$ 15,7 bilhões em ativos até o próximo ano, e outros US$ 42 bilhões entre 2017 e 2018. 

Os termos da reestruturação aprovada não foram confirmados pela fonte, mas a previsão era a divisão da malha de dutos por regiões, o que abre caminho para a venda de participações de até 80% nos ativos. 

O desmembramento da malha de gasodutos, para regiões Norte e Nordeste, e Sul e Sudeste, é tido como premissa para garantir à Petrobrás maior retorno com a venda dos ativos. A principal preocupação do governo é montar uma oferta que não crie um monopólio privado sobre a rede que hoje tem controle 100% da Petrobrás.

O tema tem sido tratado pelo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, e a estatal. A perspectiva é de que o desenho da modelagem possa avançar no segundo semestre.

 

Os conselheiros também receberam informações acerca do cronograma do IPO da BR Distribuidora, uma operação bem vista pelo órgão. O primeiro passo deve ser a realização de uma auditoria das contas da subsidiária como preparação para levar a oferta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A estatal quer realizar o IPO, com venda de pelo menos 25% da empresa, até o fim do ano. 

Colaborou Adriana Fernandes e André Borges

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