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Conselho da Varig se diz perplexo com recusa da fundação

Os quatro representantes do Conselho de Administração do grupo Varig, que renunciaram hoje, se disseram perplexos com a recusa da Fundação Rubem Berta (FRB) - controladora da companhia - em assinar o memorando de entendimentos com os credores da companhia. "Ficamos absolutamente surpresos e perplexos. Nunca nenhum de nós, em toda a nossa experiência, ouviu falar em uma coisa destas, de o controlador recusar um plano para prorrogação da dívida e reestruturação da empresa", disse José Roberto Mendonça de Barros.O executivo reclamou da "persistente e renitente ausência da fundação no processo". Os conselheiros reclamaram da falta de diálogo da fundação durante a formatação do acordo dos acionistas. Segundo Mendonça de Barros, o conselho procurou a FRB diversas vezes durante a montagem do plano e não obteve resposta. Uma das justificativas usadas pela fundação para recusar o plano foi o pouco conhecimento que tinha do acordo."Não há como ter uma administração profissional quando o acionista se recusa a ajudar", afirmou Mendonça de Barros. Segundo ele, a empresa é viável operacionalmente e isso ficou claro com os resultado dos estudos entregues no último dia 15 pela KPMG e Bain & Co. Medonça de Barros lembrou que o grande problema da companhia hoje é sua governança, tanto que a empresa gera um resultado operacional bom, mas permanece com elevadas dívidas e com um patrimônio negativo de R$ 1,5 bilhão. O executivo destacou que havia uma confiança tão grande no futuro da companhia após esse projeto de reestruturação que os credores aceitaram obter apenas garantias parciais para suas dívidas, na média, de 0,85 centavos para cada um real.Os conselheiros da Varig contestaram todos os argumentos utilizados pela Fundação Rubem Berta ao recusar o memorando de entendimentos com os credores da companhia. "Eles disseram que não havia dinheiro novo, mas todos os credores estão dispostos a devolver créditos já executados nos últimos meses, além de esperar para executar novas garantias", disse Mendonça de Barros. "São argumentos frágeis e inconsistentes."Segundo ele, US$ 22,7 milhões seriam devolvidos e outros US$ 63,7 milhões entrariam como novos créditos. Além disso, os credores suspenderiam temporariamente a cobrança de US$ 30,7 milhões. Sobre a acusação de privilegiar apenas parte dos credores, Mendonça de Barros disse que não há como fazer um primeiro acordo com todos os credores - "são mais de uma centena" - e, por isso, foram chamados os maiores em um primeiro momento. Além disso, explicou, não havia como obter uma garantia do BNDES, como queria a fundação, antes de o processo ser analisado pelo banco.JustificativasA Fundação Rubem Berta vetou a assinatura do memorando de entendimento da companhia com os seus credores porque o documento não oferece garantias de que um eventual aporte de recursos do BNDES ficará na empresa, para ser usado na recuperação do seu equilíbrio financeiro, segundo informou uma fonte da Varig. A declaração de voto da Fundação, aprovada na assembléia geral extraordinária da FRB-Par Investimentos S.A., afirma que o memorando apenas consolida uma dívida de US$ 118 milhões, para pagamento em 30 de novembro próximo.Segundo o voto da Fundação, a leitura do memorando revela que a) não há recursos novos, apenas uma consolidação de débitos e uma redistribuição deles entre os credores; b) os contemplados foram apenas alguns credores, deixando-se de lado um grande número de fornecedores; c) não há nenhuma informação de como serão pagos os valores em 30 de novembro; d) não há garantia, por parte do BNDES, que também pressiona pela assinatura (do memorando), de que haverá liberação de recursos para a capitalização da empresa e e); não há informações sobre como os valores foram calculados.Uma fonte da Varig informou que a cláusula 3.5 do memorando de entendimento firmado pela direção da companhia com seus credores, que trata da capitalização das empresas do Grupo Varig, prevê que ficarão antecipadamente vencidas, de pleno direito, no caso de um novo aporte de capitais, todas as obrigações das empresas do Grupo Varig decorrentes de todos os empréstimos e créditos a elas concedidos "nos termos deste memorando", e todos os prazos de suspensão para cobrança dos créditos, independentemente de aviso ou comunicação a quais empresas do Grupo.A fonte disse que, para a Fundação Rubem Berta, a aceitação desse acordo produzirá inevitavelmente uma corrida dos credores para participar da distribuição dos pagamentos proporcionados pelo novo aporte de recursos. Há uma ressalva, na cláusula, considerada vaga pelos membros da Fundação, pois ela prevê que só não haverá quitação das dívidas do grupo "caso o BNDES considere, após entendimentos com os credores e as devedoras, que tal pagamento prioritário não seja recomendável para a continuidade das operações normais das devedoras (empresas do Grupo Varig) ou torne inviável a implementação do programa de reestruturação e capitalização".

Agencia Estado,

25 de novembro de 2002 | 17h45

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