Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Conselho de administração do Itaú aprova criação da Newco, que ficará com 41,05% do capital da XP

Banco também explica que a cisão ainda precisa ser aprovada pelos acionistas, e caso isso aconteça, eles vão passar a deter participação também na Newco

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2020 | 21h24

O conselho de administração do Itaú Unibanco aprovou nesta quinta-feira, 26, a segregação de seu investimento na XP em uma nova empresa, a Newco, que vai ficar com a participação de 41,05% do banco no capital da XP.

O Itaú explica que a cisão ainda precisa ser aprovada pelos acionistas, e caso isso aconteça, eles vão passar a deter participação também na Newco. O banco tem outros 5% de participação na XP, e essas ações poderão ser vendidas dependendo das condições do mercado.

JCP

 O conselho do Itaú aprovou também o pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCP) no valor bruto de R$ 0,0639 por ação. Os valores serão pagos com base na posição acionária do dia 10 de dezembro, e a partir do dia 11, as ações passam a ser negociadas ex-juros. O crédito aos acionistas será realizado até 30 de abril de 2021.

Briga

O maior banco da América Latina se tornou sócio da corretora fundada por Guilherme Benchimol há três anos, ao comprar 49,9% do negócio em uma operação vista à época como um movimento de proteção contra a emergência de plataformas de investimentos digitais e com estratégia ousada de captação de clientes. O negócio virou um dos investimentos mais rentáveis da história do Itaú.

No fim de junho deste ano, porém, o Itaú levou ao ar uma campanha publicitária que provocou uma forte reação das corretoras e, especialmente, da XP

Na campanha, lançada em horário nobre na TV Globo, o Itaú bateu de frente no “coração” e em um dos pilares do negócio da XP: os agentes autônomos. Questionou a remuneração desses profissionais, feita por meio do comissionamento, o que traria o incentivo de que esse agente indique ao seu cliente um produto com a melhor remuneração para ele, e não necessariamente para o cliente. Na XP estão acoplados hoje mais de 6 mil AAIs – os agentes autônomos de investimento.

Na peça publicitária do Itaú, o ator Marcos Veras diz que a moda de 2019 era ter uma corretora e um assessor de investimentos. Ele sugere que os profissionais autônomos induzem o cliente a investir em produtos sem saber dos riscos, os fazendo se sentir “reis de Wall Street”.

O comercial, criado pela DPZ&T, produção da 02 Filmes e direção de Fernando Meirelles, reforça que os especialistas do Itaú Personnalité – o braço de renda mais alta do banco – são isentos.

O alto-escalão da XP já sabia sobre a propaganda que vinha sendo elaborada pelo Itaú. Mas o tom de seu principal acionista os pegou de surpresa, conforme fontes próxima à XP. Benchimol, por sua vez, subiu o tom em uma publicação no Linkedin.  “Tenho uma certeza: se tem algo que o banco não é, nem nunca foi, é ser feito para você”, em clara alusão ao famoso slogan do Itaú.

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