Conselho de Farmácia quer genérico mais barato

O ingresso dos medicamentos genéricos no mercado teve como objetivo oferecer à população remédios de qualidade comprovada a preços menores. Em média, a legislação impõe que o preço do genérico deve ser cerca de 40% mais barato do que o medicamento de referência - aquele que primeiro ingressou no mercado. Acontece que o consumidor pode se deparar com uma situação em que um remédio similar ao de referência tem um preço ainda menor do que o genérico.A diferença entre o similar e o genérico é que o segundo é submetido a testes (de bioequivalência e biodisponibilidade) que garantem uma cópia idêntica ao medicamento de referência. "No entanto, isso não exclui a eficiência dos remédios similares, que também têm garantia na sua composição e são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Ministério da Saúde, caso contrário não deveriam nem estar nas prateleiras", afirma Antônio Barbosa, presidente do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal (CRF-DF). Na sua avaliação, o preço do genérico deveria ser mais barato que qualquer remédio que tenha a mesma função - seja o de referência ou os similares - ambos chamados de remédios de marca.Pesquisa mostra diferença superior a 80%De acordo com a pesquisa realizada pelo CRF-DF em parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa do Usuário de Medicamento (IDIUM), os genéricos chegam a custar até 81,39% mais caros que os remédios similares de outras marcas. É o caso, por exemplo, do genérico Ciprofloxacina, do Laboratório Rambaxy, mais caro que a marca similar Quinoflox do Laboratório Biolab. Outro exemplo é o genérico Ceftriaxona (Rambaxy), mais caro 78,33% que o similar Ceftriax do laboratório Sigma Pharma. A pesquisa comparou os preços de todos os genéricos disponíveis no mercado e encontrou 39 exemplos de genéricos mais caros que outras marcas similares."O genérico deveria ser a opção mais barata para o consumidor, conforme vem sendo divulgado pelo governo", afirma o presidente do CRF-DF. Segundo ela, os laboratórios utilizam como referência para estabelecer o preço dos genéricos sempre o maior preço do mercado - o do medicamento de referência -, não levando em consideração os preços dos remédios similares no cálculo do desconto para o genérico. Anvisa explica cálculo do preço do genéricoA Anvisa rebate a crítica do CRF-DF dizendo que o preço do genérico sempre é comparado com o de referência e que nesta conta os medicamentos similares não são levados em consideração. O fato de um genérico não ser a opção mais barata pode ser explicado pela competição no mercado, em que os laboratórios estão barateando os remédios similares para concorrerem com os genéricos, segundo a Assessoria de Imprensa da Anvisa.Pesquisa de preçosO consumidor deve fazer pesquisa de preços entre os diversos remédios, para verificar se o genérico é de fato mais barato que o remédio similar. Para facilitar a pesquisa de mercado, o Procon-SP, órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual, colocou à disposição dos consumidores o telefone 0800-126047 para a consulta dos preços de todos os genéricos.

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