Conselho de Lula defende dólar entre R$ 3 e R$ 3,20

O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) está preparando um documento de dez medidas voltadas para estimular o reaquecimento econômico do País este ano. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico e Social, Tarso Genro, as medidas serão discutidas no dia 4 de setembro, em reunião que contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tarso destacou que todas as medidas são sugestões, entre elas, a que prevê a manutenção da taxa de câmbio entre R$ 3 e R$ 3,20, segundo proposta do setor exportador.Defendendo a competitividade das exportações, ele disse que deve se manter um esforço vigoroso para o País alcançar uma meta de saldo comercial de US$ 20 bilhões. "O governo vai trabalhar com um câmbio favorável, porque não há um exemplo de país que tenha saído de dificuldades sem o esforço exportador." Tarso negou que a proposta seja um controle do câmbio. "O Conselho não decide nada. Apenas sugere, induz e propõe. O fato é que tudo será decidido por Lula", afirmou. "Não há visão de amarrar o câmbio por mera questão burocrática".Ele descartou a hipótese de que a idéia de acelerar a queda das taxas de juro, contida no documento, seria uma ingerência no Banco Central. "O Copom (Comitê de Política Monetária) tem autonomia e o próprio Conselho tem a noção de que esta autonomia é correta", garantiu. "É uma visão burocrática dizer que o secretário de Desenvolvimento Econômico e Social não deve receber pressão política. Ele deve operar tecnicamente, adequando o quadro à situação política. O resto, ou é uma ditadura, ou é uma visão burocrática das coisas", afirmou.O ministro disse que o Conselho evitará sugerir as chamadas "bolhas artificiais", que ele definiu como medidas exclusivamente políticas, sem densidade técnica, que depois podem obrigar o País a retornar para taxas de juros elevadas. Tarso afirmou que o governo já começa a adotar medidas sugeridas pelo Conselho, como a redução do compulsório em depósitos à vista.Segundo ele, o Conselho vai propor que se permita às empresas abaterem do valor dos impostos a pagar, em tempo mais curto, os investimentos feitos em máquinas, mas disse que este ponto é insuficiente. Para ele, "a retomada do crescimento tem um tripé: superávit fiscal, taxa de juros e taxa de câmbio. "O resto é importante, mas é acessório".O secretário disse ainda que a proposta elaborada pelo CDES de reduzir de 4,25% para 4% o esforço fiscal do governo (meta de superávit primário) será conduzida de forma madura pelo governo com o FMI. Apesar de se mostrar confiante na negociação deste ponto, o ministro destacou que o crescimento do País deve falar mais alto. "A minha visão pessoal é de que nossas relações com o FMI não devem impedir medidas que impeçam a retomada da atividade no Brasil", afirmou.

Agencia Estado,

16 de agosto de 2003 | 20h12

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