Wilton Junior|Estadão
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Conselho elege Pedro Parente como presidente global da BRF

Mercado aguardava indicação e ações da companhia subiram 3,32% nesta quinta-feira; executivo assume no dia 18 de junho

Camila Turtelli, Karin Sato, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2018 | 13h16
Atualizado 15 Junho 2018 | 11h37

Pedro Parente foi indicado nesta quinta-feira, 14, como presidente global da BRF, apenas duas semanas após deixar o comando da Petrobrás, conforme antecipou o Estadão/Broadcast. Parente, que assumirá o cargo na segunda-feira, acumulará a função de presidente do conselho de administração da companhia, dona das marcas Sadia e Perdigão e maior exportadora global de frangos.

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Entre os seus principais desafios estão reverter os resultados negativos da companhia, que registra prejuízo por dois anos consecutivos, traçar um plano para controle de qualidade dos produtos, além de retomar os mercados que fecharam as portas à empresa no exterior, segundo fontes a par do assunto. Relançamentos de produtos no País e troca de executivos do grupo também estão entre as prioridades, apurou o Estado.

Em comunicado ao mercado, o conselho de administração informou que Parente foi indicado por unanimidade. Nesta quinta, o executivo teve o aval da Comissão de Ética Pública da Presidência da República para exercer as novas funções.

Sucessão. Inicialmente, ele acumulará os dois cargos por 180 dias – prazo que poderá ser prorrogado por um ano. Parente cuidará diretamente da preparação de seu sucessor no comando da BRF nos próximos meses e vai liderar o processo de reorganização do grupo, como a escolha de novos executivos em posições-chave e questões ligadas à governança do grupo. Lorival Nogueira Luz Jr, que tinha assumido o cargo interinamente, após a saída de José Drummond, em abril, será responsável pela gestão operacional da empresa. Augusto Cruz, vice-presidente do conselho de administração, passará a elaborar a pauta das reuniões do colegiado.

As ações da empresa fecharam o pregão desta quinta-feira em forte alta, de 3,32%, a R$ 20,87, impulsionadas pelas notícias de que ele iria para o comando da empresa.

Renúncia. Parente renunciou à presidência da Petrobrás no dia 1º de junho, em meio à turbulência com a greve dos caminhoneiros, que paralisou o País por 10 dias. Uma semana antes, foi a público para avalizar que estatal iria congelar os preços do diesel, uma decisão que contrariou suas próprias diretrizes. Sob sua gestão, a petroleira adotou política de reajustes diária dos combustíveis e a não ingerência do governo na estatal.

A ida de Parente para BRF é a aposta dos principais acionistas da companhia e do mercado para que a empresa volte a gerar resultados. No comando da Petrobrás, ele conduziu o processo de reorganização financeira da estatal e vendas de ativos não estratégicos. Na BRF, terá de conduzir mudanças operacionais e estruturais. 

Após ter o seu nome envolvido na operação Carne Fraca, a BRF, que já enfrentava turbulências internas com a saída de executivos e resultados negativos, passou a sofrer embargos de países importadores e perdeu participação de mercado para o principal concorrente, como a JBS, dona da Seara. Nesta semana, a empresa anunciou o fechamento da linha de produção de perus em Goiás.

Entre as estratégias de expansão de mercado, estaria uma fusão com o frigorífico Minerva, conforme publicou o Estado. A BRF é acionista relevante da companhia. Desde o ano passado, investidores se aproximaram da empresa para propor a união dos dois negócios.

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