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Conselho fiscal pede 'política realista' de preços na Petrobrás

Recomendação foi feita na avaliação do balançoe também incluiu o corte de 'eventuais subsídios' aos combustíveis

ANTONIO PITA E FERNANDA NUNES, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2015 | 02h02

RIO - O conselho fiscal da Petrobrás cobrou da direção da estatal "políticas realistas" de preços e a suspensão de "eventuais subsídios" aos combustíveis, como forma de diminuir o alto endividamento da companhia.

As recomendações foram feitas na avaliação do balanço anual da companhia em abril e constam da ata da última reunião do conselho, que o Estado teve acesso. As contas da petroleira foram aprovadas com críticas à "rápida expansão" da alavancagem da Petrobrás, e com indicações para "severo" corte de gastos na administração.

O colegiado se reuniu no dia 22 de abril, mesmo dia em que as contas anuais auditadas foram aprovadas pelo conselho de administração, após dois adiamentos. A reunião durou quase seis horas e terminou após a apresentação ao mercado dos resultados, por volta de 23h. Apesar de já divulgada, as contas foram rejeitadas por dois conselheiros - que consideraram o valor das baixas nos ativos "distante da realidade".

A maior fragilidade apontada pelo parecer foi a "rápida e significativa expansão do endividamento" entre 2013 e 2014, quando se ultrapassou a marca de R$ 400 bilhões em dívidas. O parecer dos conselheiros considera "preocupante" a alta no indicador de alavancagem - relação entre dívida e capacidade de gerar receitas. No final de 2014, o indicador chegou a 4,7 vezes, quando o nível considerado adequado pela estatal é de 2,5.

O conselho recomendou que a diretoria adote "com a maior brevidade possível, todas as providências cabíveis para o equacionamento", diz trecho do parecer. O documento enfatiza que devem ser tomadas "todas as medidas necessárias para reduzir a alavancagem, incluindo - mas não se limitando - a adoção de políticas apropriadas e realistas de preços, com a suspensão de eventuais subsídios que ainda possam existir". Desde 2010, a estatal adota no País preços inferiores aos praticados no exterior e aos importados. Esta política foi adotada para conter a inflação e preservar a política macroeconômica do governo, mas gerou uma defasagem no caixa da Petrobrás estimada em US$ 80 bilhões.

No parecer do conselho, também é citada a necessidade de "ampla revisão" dos investimentos, de "renegociação dos contratos" além de "severa redução de custos" na área administrativa da empresa. O texto solicita "severa redução de custos e despesas, especialmente as não diretamente relacionadas à área fim da companhia, como, por exemplo, propagandas, patrocínios e convênios".

Composto de cinco pessoas, o Conselho Fiscal aprovou o relatório com o voto contrário dos conselheiros Reginaldo Ferreira e Walter Albertoni, ambos representantes de minoritários reeleitos para 2015.

 

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