Sergio Moraes/ Reuters
Sergio Moraes/ Reuters

Conselho da Petrobras deve se reunir na segunda para analisar indicação de Andrade à presidência

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o governo pressionava por uma definição ainda esta semana, mas alguns conselheiros teriam convencido o Planalto de que o melhor é dar mais tempo para o colegiado avaliar a indicação

Gabriel Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2022 | 18h16

RIO - O conselho de administração da Petrobras deve se reunir somente na segunda-feira, 27, para aprovar ou não a indicação de Caio Paes de Andrade à presidência da estatal.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o governo pressionava por uma definição ainda esta semana, mas alguns conselheiros teriam convencido o Planalto de que o melhor é dar mais tempo para o colegiado analisar o relatório do Comitê de Elegibilidade (Celeg), sobre Paes de Andrade, a ser entregue amanhã.

A tendência é que Paes de Andrade, hoje secretário de Desburocratização do Ministério da Economia, seja confirmado presidente da Petrobras na própria segunda-feira.

O documento do Celeg analisa a integridade e competência do indicado da União, mas tem caráter consultivo, ou seja, influencia, mas não determina a aprovação de Paes de Andrade. Se confirmado no cargo, ele será o quarto presidente da Petrobras no governo Jair Bolsonaro.

Um conselheiro com boa interlocução no governo disse que a ideia de convocar a reunião na segunda-feira já foi acolhida pelo ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP).  Segundo a fonte, o conselho argumenta que a melhor estratégia seria dar tempo para que seus membros avaliem "sem pressa" o laudo sobre a integridade e competência de Paes de Andrade para o cargo. A informação foi confirmada por dois outros conselheiros, um eleito pela União e outro por acionistas minoritários.

O Planalto pressionava para que o conselho se reunisse na noite desta sexta-feira, 24, poucas horas depois da entrega do parecer do Celeg e com parte dos conselheiros em viagem de trabalho à Nova York, por também integrarem o conselho de administração da Eletrobras. Por isso, a maioria dos conselheiros concordou em se reunir somente na segunda-feira.

A reunião extraordinária, a ser convocada pelo presidente do conselho, Marcio Weber, deve acontecer presencialmente na segunda, às 11h da manhã, na sede da Petrobras no Rio de Janeiro. É facultativa a presença dos conselheiros, que poderão participar remotamente, por vídeo.

Questionado sobre o conteúdo do relatório do Celeg, a fonte informou que ainda não teve acesso ao documento, mas disse que não deve ser decisiva a eventual falta de experiência no setor de óleo e gás de Caio Paes de Andrade.

A opinião não é consenso no conselho de administração da Petrobras. Alguns conselheiros, como Rosângela Buzzanelli, indicada pelos empregados da Petrobras, têm apontado publicamente inconsistências no currículo de Paes de Andrade, formado em Comunicação Social com pós-graduação em administração e passagens pela direção de empresas de tecnologia.

Eles argumentam que Paes de Andrade não preenche os requisitos legais mínimos para comandar a Petrobras. Ainda assim, apurou o Estadão, a tendência é que o indicado da União seja aprovado.

Três conselheiros, que concordaram em reunir o conselho na segunda-feira, defendem que há um rito processual a ser respeitado. Se a reunião fosse convocada para amanhã, diz um deles, somente os membros que integram o Comitê de Pessoas (Cope) - Francisco Petros e Luiz Henrique Caroli - estariam plenamente informados sobre o conteúdo do relatório do Celeg.

Isso porque eles participam da redação do relatório junto dos membros externos Ana Silvia Matte e Tales Bronzato. Os outros oito membros ativos do conselho, argumenta, precisam de mais tempo para analisar o relatório e formular seus votos.

Após a renúncia do ex-presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, que também tinha uma cadeira no conselho de administração, dez conselheiros estão aptos para deliberar sobre a indicação de Paes de Andrade: cinco são indicados pela União, quatro foram eleitos por acionistas minoritários e um foi indicado pelos empregados da estatal.

O governo, portanto, vai precisar de pelo menos um voto para além dos seus indicados para confirmar Paes de Andrade no comando da empresa.

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