Emily Simms/The New York Times
Emily Simms/The New York Times

Conselhos sinceros para sua carreira

Em sua nova coluna, Work Friend (Colega de Trabalho), o jornal 'The New York Times' traz conselhos sobre carreiras e dinheiro e outras "dores gigantescas". Os leitores podem enviar suas perguntas e receber conselhos práticos e diabólicos de um elenco em evolução de confidentes

The New York Times 

05 Dezembro 2018 | 16h54

 

Fim melancólico de uma carona solidária

Faço parte de uma carona solidária há muitos anos. Recentemente, pedi ao principal organizador (um dois dois motoristas) uma explicação para o aumento da cobrança. Descobri que ele estava efetivamente dobrando o preço das viagens ao cobrar todos os itens concebíveis  de manutenção do carro, como depreciação, desgaste de pneus, manutenção de rotina - e, em breve, o custo de um carro novo. Ele alegou também que fazia o percurso todos os dias, tendo ou não outros passageiros. Entendo que em carona solidária cobrar qualquer coisa além do combustível é injusto.  Halifax, Nova Escócia

A ideia de carona solidária não é de rodízio de carros entre os participantes e que cada um assuma os custos em sua vez? Fuja, migre para outro grupo, faça qualquer coisa, mas caia fora.

Um clima que pode tornar sua vida horrível

Não aguento mais meus colegas. Um deles há dois anos me faz perguntas manipuladoras, que me deixam emocionalmente desconfortável. Quer saber de minhas finanças pessoais, detalhes sobre meu namorado, onde moro exatamente e que caminho faço para casa. Acho que ele quer ver até onde suporto. Uma vez, veio por trás de mim e me forçou contra minha mesa, o que certamente é assédio sexual. Quero denunciar o cara, mas sei que isso destruiria meu pequeno grupo de trabalho - sem contar que alguns colegas homens já deixaram claro o que pensam do movimento #MeToo.  Sinto-me tolhida. Sei que os outros não me apoiarão e que a denúncia pode afetar eventuais referências de meu chefe de que eu venha a precisar no futuro. Ao mesmo tempo, odeio trabalhar com o cara e acho que mulheres devem denunciar esses abusos. Pretendo mudar de cidade no próximo ano, mas não quero arranjar outro emprego apenas para preencher um curto período. Estou enlouquecendo de raiva e solidão . Anônima

Você vem remoendo na cabeça o que pode acontecer se decidir falar. Colegas homens passariam a olhar para você com caras sinistras, mostrando seus caninos de vampiro. Você poderia ser demitida ou tomar um gelo. Talvez tivesse também de enfrentar penosas entrevistas no RH. A situação poderia ficar pior do que a atual. Você poderia  ser a única a sofrer as consequências de querer que seu local de trabalho seja mais justo.

Mas tudo isso, por enquanto, está só na sua cabeça. E esses caras que assustam você são apenas... caras! Não têm superpoderes. De qualquer modo, porém, o que você vem enfrentando é horrível. 

Vou dar um exemplo pessoal - estúpido, mas vá lá. Um dia, um dente do siso que me incomodava havia anos começou a doer muito. A dor não ia parar por magia, mas nada me apavorava mais que encarar o dentista. Me acomodei. Sentia-me mais confortável com a agonia conhecida que com a perspectiva de enfrentar o desconhecido. 

O que quero dizer é que sou o maior dos idiotas vivos, e o mais covarde. Mas acho que você,felizmente, não é como eu.

Não estou sugerindo que você faça algo apenas porque é o certo, ou porque seja mais fácil de enfrentar do que aquilo pelo que está passando, ou porque vá se sentir melhor. Acho que você deve fazer alguma coisa porque não está vivendo de acordo com seus ideais. Está desapontada consigo mesma.

Você não quer fazer um salseiro nem "destruir" seu pequeno grupo (que claramente deveria ser destruído). Está se escondendo porque tem medo, e tem motivos para ter. Mas acho que você me escreveu em busca de coragem. O mínimo que você pode fazer por si mesma é tentar se libertar. Agarre as rédeas com as duas mãos e sinta-se viva de novo.

Percalços societários  

Entrei numa sociedade sem pensar muito. Seria um negócio entre amigas. Elas vinham de um ambiente de trabalho extremamente tóxico, mas juraram que esse ambiente havia ficado para trás e não as influenciaria. Juntas criaríamos um novo ambiente, cheio de amizade, fraternidade e respeito pelos limites de cada uma. Em pouco tempo, no entanto, mostraram que não eram minhas amigas e, na verdade, continuavam destilando toxidez. Senti-me abusada psicologicamente.  Mulheres podem fazer isso umas com as outras ou isso é coisa que só os homens fazem com as mulheres? Cheguei perto de um colapso nervoso e me escondi por tempo suficiente para ver a nascente empresa delas ruir sem mim. Minha pergunta é: todas as parcerias são assim impossíveis? Anônima

Passei 15 anos como sócio de várias startups, provavelmente nenhuma delas boa. Dizem que o segredo de uma sociedade é comunicação. De fato, mas comunicação é também a pior parte! O melhor que consegui numa sociedade foi tentar ser um sócio regular. Se conseguirmos compartilhar com os sócios valores importantes como privacidade, dignidade, honestidade ou dinheiro, estaremos fazendo o melhor possível. Parceiros têm de enfrentar juntos as adversidades. Mas, se não estivermos entendendo o que é importante para nossos  parceiros (ou eles não entenderem o que é importante para nos), é hora da separação.  Com o tempo você voltará a amar o estilo "sociedade de responsabilidade limitada". / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ   

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