Consenso de Washington não é "uma malévola neoliberal", diz Malan

As tradicionais críticas do ministro da Fazenda, Pedro Malan, aos que rotulam os que conduzem a política econômica brasileira, transformou-se na tarde de hoje num questionamento bem-humorado sobre a importância dada para esses termos que, para ele, são pouco conhecidos dos críticos, como é o caso do Consenso de Washington. "Só o Brasil acha que esses princípios são uma malévola designação neoliberal que nos é imposta pela sede do Império", criticou.Durante discurso proferido na solenidade em comemoração aos 38 anos de criação do Ipea, Malan criticou o que classificou como "propensão à rotulagem", e deixou claro que se termos como Consenso de Washington não tivessem sido cunhados com o nome da capital dos Estados Unidos, eles jamais teriam ganho o "apelo político" que caracteriza seu uso. "Os que criticam o Consenso de Washington raramente têm idéia do que estão falando", disse.Malan lembrou que o termo foi cunhado inicialmente pelo economista inglês radicado nos Estados Unidos, John Williamson. "E ele se arrepende amargamente disso até hoje", afirmou o ministro. O economista fez um grande apanhado de estudos sobre países em desenvolvimento e identificou uma convergência nesses trabalhos para idéias como responsabilidade fiscal, preservação da inflação sobre controle, privatizações, abertura econômica e respeito a contratos.Morando em Washington, o economista inglês acabou titulando esse apanhado como "Consenso de Washington". "Isso virou, no discurso político, uma grande maquinação, a elaboração de um pensamento único criado na sede do Império", disse Malan.Para o ministro, os princípios listados no consenso nada mais são do que "responsabilidades básicas" que acabaram sendo tratadas, no processo político, como "imposições e exigências" do exterior. "Isso é uma tonteria, para utilizar um termo em espanhol", afirmou.Para Malan, se o trabalho de Williamson tivesse sido feito na cidade de Chattanooga, no estado norte-americano do Tennesse, o termo jamais teria ganho conotação política. "Vocês acham que haveria discussão política sobre o Consenso de Chattanooga? Isso não teria a menor importância", ironizou Malan, levando às risadas a platéia que acompanhava a palestra.

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