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Considere o risco ao investir em criptomoedas

Você só deve investir em criptomoedas se gostar muito de correr riscos e, assim mesmo, se o dinheiro estiver sobrando.

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2017 | 05h00

Sou estudante e estou pensando em investir uma pequena quantia em criptomoedas. Que cuidados devo tomar?

Você só deve investir em criptomoedas se gostar muito de correr riscos e, assim mesmo, se o dinheiro estiver sobrando. As moedas digitais são geradas a partir de algoritmos com criptografia com base em blockchain. Isso as tornam seguras para movimentação de valores. Blockchain é um sistema em que os registros de todas as transações estão distribuídos em todos os computadores em que o software é rodado de maneira que as novas transações são validadas e passam a ser parte da corrente de blocos de registros. A moeda mais conhecida é o Bitcoin, criado em 2009. Mas, a despeito de hoje ser uma moeda bem mais aceita para compras no varejo, serviços e na indústria, ainda usada por aqueles que querem se livrar de controles sobre suas transações. Vou repetir algo que tenho dito “Não acredite em ganhos fáceis, rápidos e seguros como alguns sites têm divulgado”. O fato é que a volatilidade desse mercado é muito alta e o preço da moeda está nas alturas. Para dar uma ideia, em julho de 2010 o Bitcoin valia US$ 0,07, no início de 2017 estava em US$ 976,65 e estava na semana passada em US$ 8.188,35. Fazendo a conta de evolução de 2010 até hoje temos a variação de mais de 11.697.000%. Quem entrou ganhou muito dinheiro, mas isto não significa que quem entrar agora vai ter esse ganho. Outro aspecto é que há muitas notícias dando conta de fraudes na comercialização. Esse comércio é realizado por corretoras especializadas. Agora em novembro o Banco Central do Brasil emitiu nota alertando sobre os riscos, particularmente pelo fato de que essas moedas não têm garantia de conversão para moedas soberanas. Como disse, caso você queira comprar um único Bitcoin atualmente, prepare-se para gastar algo como R$29 mil.

Meu gerente tem me oferecido investimentos em COE (Certificado de Operações Estruturadas). O que você pensa desse produto? Vale a pena para um investidor que, como eu, sempre gostou de renda fixa?

Em momento de queda de juros o investidor que tiver apetite para buscar mais ganhos terá que começar a pensar em investir com maior risco. Por outro lado, sem conhecer o seu grau de aversão a risco e a sua carteira, não tenho como responder especificamente se vale a pena esse investimento. Mas é muito importante você conhecer esse e outros tipos de investimento para poder obter maior rentabilidade. O Certificado de Operações Estruturadas (COE) é um ativo financeiro que reúne renda fixa e variável em um único produto de maneira que você aplique recursos que atendam diferentes cenários e graus de risco. Este produto financeiro possibilita proteção total ou parcial da quantidade investida. Em outros termos, o COE é um título que contém ativos de renda fixa e variável estruturados com base em cenários de ganhos e riscos selecionados pelo investidor. Sem uma nota estruturada como o COE o investidor teria que aplicar em diferentes derivativos, casando vencimentos e arcando com diversos custos de operação, para obter o mesmo resultado. Este tipo de produto facilita a vida porque permite diversificar e, ainda, acessar novos mercados. Esses títulos são emitidos pelos bancos e registrados na B3 e sujeitos a incidência de Imposto de Renda na tabela de renda fixa. Considere, também, o risco de liquidez porque esse título não permite resgate antecipado. Segundo dados da B3, o valor médio investido em COE é de R$67 mil e o prazo frequente é acima de dois anos.

 

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