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Daniel Teixeira/Estadão
John Rodgerson vê o mercado de aviação no País passando de três empresas para duas. Daniel Teixeira/Estadão

'Consolidação pode ser saudável, e Cade aprovaria uma aquisição', diz CEO da Azul

Após Latam encerrar acordo de compartilhamento de voos que tinha com a área, diante de uma possível tentativa de compra por parte da Azul, executivo disse hoje que está procurando oportunidades

Juliana Estigarríbia, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2021 | 20h19

O presidente da Azul, John Rodgerson, afirmou ao Estadão/Broadcast que uma consolidação no mercado de aviação brasileiro pode ser saudável e uma eventual aquisição de concorrente não enfrentaria resistência no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

"Não temos uma sobreposição tão grande de operações com a Gol ou a Latam e por isso avaliamos que o Cade poderia aprovar uma eventual fusão. Nossa posição estratégica no mercado é chave para isso acontecer", disse o executivo.

A Latam anunciou na noite de segunda-feira, 24, o fim do acordo de compartilhamento de voos (codeshare) com a Azul, que vigorava desde meados de agosto. Conforme apurou o Estadão/Broadcast, a Azul vinha tentando fazer uma oferta pela operação brasileira da concorrente. No entanto, o presidente da Latam Brasil, Jerome Cadier, negou as tratativas.

Rodgerson limitou-se a afirmar que a Azul está procurando oportunidades. "Acreditamos que o mercado de aviação poderia passar de três para dois players (concorrentes) e isso seria saudável." Ainda na segunda-feira, a Azul informou ao mercado que contratou consultores e está estudando ativamente as oportunidades de consolidação do setor.

Sobre fôlego financeiro para executar uma transação dessa magnitude, Rodgerson disse que o fato de as ações da Azul terem subido nesta terça-feira é uma demonstração de que os investidores continuam acreditando na empresa. "O que não falta no mercado é capital para financiar boas histórias e potenciais sinergias", disse.

Em nota, a Latam afirmou que o grupo "pretende competir agressivamente no Brasil e em outros mercados e não tem intenção de vender ou desmembrar" a operação local. Segundo o comunicado, o grupo "não recebeu qualquer proposta referente à aquisição" e que "o fim do codeshare não está relacionado com qualquer tratativa de compra da Latam Brasil."

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, a Azul demonstrou interesse em comprar parte da Latam, mas não chegou a enviar uma proposta de aquisição formal. No entanto, a aérea brasileira estaria aguardando para fazer uma oferta pela concorrente, o que só deve acontecer após a apresentação do plano de Chapter 11 (equivalente à recuperação judicial do Brasil) aos credores nos Estados Unidos, prevista para ocorrer até julho.

Disputa acirrada

De acordo com uma fonte do setor aéreo, no curto e médio prazo existe pouco espaço para três empresas do porte da Azul, Gol e Latam atuarem ao mesmo tempo. "Os próximos dois anos serão difíceis para a Latam, que tem muitos voos internacionais. Espaço há para as três atuarem juntas nesse período, mas não é a melhor saída para rentabilidade e qualidade dos serviços."

Na visão do sócio responsável pela área de direito aeronáutico do ASBZ Advogados, Guilherme Amaral, o movimento de consolidação costuma ser "doloroso" para as aéreas. "Há muita competição no setor", diz. "A Azul é uma boa jogadora, se posicionou bem na pandemia e pode acabar se tornando a maior do País."

Segundo um analista que acompanha o setor em um grande banco, que prefere não ser identificado, os riscos para a operação brasileira da Latam "são grandes" e a empresa deve continuar queimando caixa de forma significativa nos próximos trimestres. "Se a Azul quiser comprar a Latam Brasil ou uma parte dela, há investidores dispostos a entrar nesse jogo", disse.

A fonte diz, entretanto, que a Azul tem vencimentos de dívidas mais curtos do que a Gol, por exemplo, o que pode obrigar a empresa a ir a mercado captar recursos para um eventual lance pela Latam Brasil. "Hoje, não vejo espaço para uma fusão no setor, tem sobra de capacidade no mercado", diz ele.

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Latam não pretende vender operação local, diz presidente da empresa no Brasil

Declaração foi feita após Azul divulgar nota em que afirma estar em posição para "conduzir" um processo de consolidação no setor

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2021 | 13h00

O grupo Latam não pretende se desfazer de sua operação brasileira, de acordo com o presidente da empresa no Brasil, Jerome Cadier. “Não há nenhuma intenção de separar a operação Brasil do grupo. A força da Latam está na complementaridade das operações (nos diferentes países). Separar não faz sentido econômico para o grupo”, disse o executivo ao Estadão

A declaração foi feita após a Azul divulgar, na noite de segunda-feira, 24, uma nota em que afirma que a consolidação do setor é uma “tendência” no pós-pandemia e que está em “uma posição forte para conduzir um processo nesse sentido”, em uma sinalização de que está interessada em comprar a concorrente. 

Também na segunda-feira, a Latam anunciou que encerrou o acordo de compartilhamento de voos com a Azul. A parceria havia sido firmada no ano passado, no pior momento da crise para o setor. A ideia era que ela ajudasse as empresas a alavancar as receitas.

Cadier voltou a dizer, nesta terça-feira, 25, que o acordo foi encerrado porque ficou aquém das expectativas. Afirmou ainda que não houve conversas para vender a empresa. Segundo fontes do mercado, porém, a Azul vinha aumentando a ofensiva.

No ano passado, quando as duas empresas se uniram no acordo de compartilhamento de voos - e com a Latam em recuperação judicial nos Estados Unidos -, já circulava no mercado a informação de que a Azul queria ficar com uma parte de sua concorrente. Uma eventual aquisição, no entanto, poderia enfrentar resistência no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), pois a empresa resultante concentraria mais de 60% do mercado.

A Latam afirma que está voltando a crescer no Brasil. Apesar de março e abril terem sido meses difíceis para o setor, a companhia percebeu uma melhora em maio e projeta estar operando com 90% da capacidade em dezembro, na comparação com o mesmo mês de 2019. No mês passado, a aérea operou com 38% e, agora, está com 49%.

De acordo com Cadier, a empresa pretende contratar 750 tripulantes até dezembro – no ano passado, 2.700 foram demitidos –, ampliar a frota de cargueiros de 11 para 21 aeronaves e receber mais sete aviões para o transporte doméstico de passageiros.

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