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Consórcio compra o ABN Amro, e Santander preocupa rivais no Brasil

Royal Bank of Scotland, Santander e Fortis conseguiram a aprovação de 86% dos acionistas do ABN para oferta de 71 bi

Ricardo Grinbaum e Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

09 de outubro de 2007 | 00h00

O trio de bancos liderado pelo Royal Bank of Scotland anunciou ontem que obteve apoio de cerca de 86% dos acionistas do ABN Amro, abrindo caminho para que o grupo consiga realizar a maior aquisição da história do setor bancário mundial. O consórcio vai pagar 71,1 bilhões pelo banco holandês e suas subsidiárias no exterior.O Royal Bank of Scotland e seus sócios na empreitada, Santander e Fortis, lutaram contra o britânico Barclays desde abril para comprar o ABN. O consórcio vai dividir o ABN Amro. As operações no Brasil e na Itália vão ficar com o Santander, que também levará o Interbank, da Holanda, especializado em crédito ao consumidor.''''A condição de aceitação mínima da oferta foi satisfeita'''', informaram os bancos em comunicado. ''''Os bancos esperam fazer um anúncio se vão ou não declarar a oferta incondicional até 12 de outubro.''''No Brasil, a compra do ABN Amro Real mudará o jogo de forças entre os bancos. No ranking geral do mercado financeiro, incluindo os estatais, o Santander se tornará o terceiro maior banco do País, atrás apenas do Banco do Brasil e do Bradesco. O Santander dará um salto no Brasil. Hoje tem R$ 123 bilhões em ativos e passará a R$ 277 bilhões. O Itaú tem R$ 255 bilhões e o Bradesco, R$ 290 bilhões.Mais do que isso: o que preocupa os rivais é como o Santander e o ABN Amro Real se complementam. ''''Está aí o problema para os outros. Todos os executivos de bancos estão apreensivos. Com o ABN Amro, o Santander ganha escala e poderá competir com outros bancos reduzindo o spread'''', diz João Augusto Sales, analista da corretora Lopes Filho.Um documento produzido pelo banco Santander e enviado ao órgão que fiscaliza o mercado de capitais na Espanha - o equivalente à CVM brasileira - detalha as áreas de atuação e regiões em que cada um dos bancos é forte no Brasil. O resultado mostra que o perfil dos bancos é bem diferente.No Estado onde um é fraco, o outro é forte. O documento mostra que o Santander tem 13% de participação de mercado em São Paulo, enquanto o Real tem 7%. No Rio de Janeiro, onde o Real tem 10%, o Santander só tem 3%.Eles se complementam também quando se analisa os mercados a que se dedicam e o perfil de clientes. Segundo o documento, o Santander é especializado em grandes empresas e o Real se dá bem melhor em pequenas empresas, empréstimos ao consumidor e no varejo, atendendo pessoas físicas.''''A maior parte dos resultados do Santander no Brasil vem de operações de tesouraria (aplicação com recursos do próprio banco). Já os resultados do Real vêm do varejo'''', diz Carlos Macedo, analista do Unibanco especializado em bancos. ''''A compra do Real cai muito bem para o Santander.''''IRONIAA compra do Real cai bem para o Santander também por outro motivo. Ao fazer o lance pelo ABN Amro mundial, o Santander avaliou a operação brasileira em 12 bilhões. Segundo cálculos de Macedo, o banco no Brasil valeria pelo menos 25% a mais, levando em conta comparações com as cotações do Itaú e do Bradesco na Bolsa de Valores de São Paulo.''''Foi uma ironia da história'''', diz Macedo. A ironia a que ele se refere foi o fato de que o Santander pagou caro para levar o Banespa no leilão de privatização em 2000. Naquela ocasião, o Santander fez um lance alto - de R$ 7 bilhões - imaginando que o Bradesco e o Itaú entrariam pesado na disputa. O Itaú nem sequer apresentou proposta. O Bradesco ofereceu o preço mínimo, de R$ 2,1 bilhões.Com a compra do Banespa, o Santander meteu medo nos concorrentes, mas a vida foi mais dura que se imaginava. Quando venceu o prazo que impedia os correntistas de trocar de banco, os concorrentes avançaram sobre a carteira de funcionários públicos do Banespa/Santander. Estima-se que o Santander tenha perdido metade dos correntistas do Banespa para a Nossa Caixa. O Santander nega. Diz que conseguiu reter 90% dos recursos administrados pelo antigo banco estatal.O Santander se especializou na concessão de crédito para empresas e operações de tesouraria. Segundo o Estado apurou, o banco chegou a cogitar deixar o País. Há cerca de um ano, eles contrataram o banco de investimentos Goldman Sachs para tentar abrir negociações com o Itaú e o Bradesco. O Itaú não quis conversar. As negociações com o Bradesco não avançaram.

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