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Consórcio de Belo Monte quer evitar erros cometidos em Jirau

Ordem é assegurar instalações adequadas e contratar trabalhadores que já vivem na região de Altamira 

Renato Andrade e Karla Mendes, da Agência Estado,

18 de abril de 2011 | 19h46

Os conflitos que paralisaram as obras das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, acenderam a "luz amarela" no consórcio responsável pela construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu (PA). A ordem dos sócios para as construtoras é assegurar instalações adequadas e contratar, majoritariamente, trabalhadores que já vivem na região de Altamira.

"Não vamos cometer os equívocos cometidos pelas empresas responsáveis por Jirau e Santo Antônio. Estamos conversando com os empreiteiros para evitar problemas como instalações precárias, dificuldades dos operários visitarem suas famílias", disse João dos Reis Pimentel, diretor de Relações Institucionais da Norte Energia, empresa responsável pela hidrelétrica.

O movimento dos sócios de Belo Monte é preventivo. Como a licença para o início efetivo das obras ainda não foi concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Norte Energia tem aproveitado esse tempo para tentar qualificar os moradores dos municípios próximos ao local da usina que poderão compor o grupo de operários que irá erguer a usina.

"Ao contrário de outras obras de porte, não precisamos fazer uma mobilização externa de mão de obra muito grande neste início. Podemos contar com a prata da casa, com o pessoal da própria região porque existe muita juventude que quer trabalhar e já está sendo treinada", explicou Pimentel.

Pelos cálculos da Norte Energia, se a licença de instalação for liberada em maio, como esperado, as obras de construção do canteiro e da própria usina irão correr em paralelo ao longo do segundo semestre do ano. "Até o final deste ano devemos ter mobilizado na região 7 mil pessoas", disse o executivo. No ápice da obra, cerca de 18 mil trabalhadores estarão no local, e Pimentel garante que mais da metade desse número será de pessoas que já vivem em Altamira e em outros municípios próximos ao rio Xingu.

A indefinição sobre qual empresa irá assumir o lugar do Grupo Bertin no consórcio responsável por Belo Monte deixou em suspenso a conclusão do contrato de financiamento da obra pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Pimentel, entretanto, não considera que isso seja um problema porque o dinheiro só será necessário quando a Norte Energia receber o sinal verde do Ibama para começar a obra.

Até o momento, os sócios da Norte Energia têm tirado do próprio bolso os recursos necessários para os gastos iniciais. Segundo Pimentel, já foram desembolsados R$ 287 milhões. Apesar da presença de empresas privadas, a usina de Belo Monte será administrada, na prática, pelo governo. Além da participação direta de 49,98% da Eletrobras e de suas subsidiárias (Chesf e Eletronorte), fundos de pensão de estatais também participam da sociedade.

O executivo pondera ainda que as empresas interessadas em assumir os 9% que ainda estão "tecnicamente" nas mãos da Gaia Energia são bem-vistas pelo mercado e têm um "entrosamento grande" com o BNDES. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, tem declarado que não faltam interessados em entrar na sociedade, e empresas como Vale, Alcoa, Votorantim e CSN fazem parte desta lista.

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