Consórcio de Belo Monte quer punição por invasão

Escritórios do canteiro de obras da hidrelétrica foram invadidos no sábado e manifestantes danificaram computadores e queimaram documentos

FÁTIMA LESSA , ESPECIAL PARA O ESTADO / CUIABÁ , SABRINA VALLE / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h04

O Consórcio Construtor de Belo Monte registrou queixa na polícia e pretende acionar a Justiça para pedir a punição de ativistas que invadiram, no fim da tarde de sábado, um dos escritório nos canteiros de obras da hidrelétrica, em Altamira, no Pará.

Dezenas de ativistas e lideranças indígenas participaram do quebra-quebra que danificou computadores, mesas e cadeiras. Os invasores queimaram também vários documentos. O Movimento Xingu Vivo para Sempre, que organiza um evento de protesto contra a construção da hidrelétrica, negou participação na invasão.

"A ação dos indígenas foi realizada de forma independente. Alguns participantes do evento decidiram, por conta própria, apoiar o ato dos indígenas. Em nenhum momento a ação foi incentivada pela coordenação do evento", declararam em nota os representantes do movimento.

Os presidentes de Furnas, Flávio Decat, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, que participaram ontem do Fórum Corporativo, evento paralelo à Rio+20, condenaram os atos de vandalismo. "Esta não é uma discussão muito racional", disse Decat. "O vandalismo é sempre condenável. A ferramenta numa sociedade democrática é o diálogo, a negociação", declarou Coutinho.

O BNDES, que já liberou R$ 1,087 bilhão para a obra, financia até 80% do investimento total da usina, construída no Rio Xingu e orçada em cerca de R$ 20 bilhões. Ontem, mais de mil índios - que estão no Rio para participar da Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) - cercaram o prédio-sede do banco para pedir que a instituição não financie projetos próximos a áreas indígenas e citaram especificamente Belo Monte (mais informações no caderno Rio+20).

O presidente de Furnas, Flávio Decat, defendeu o projeto, dizendo ter baixo impacto ambiental e social, com inundação de uma área restrita e remoção de famílias de construções de palafitas para casas melhores.

Decat diz que o maior impacto vem das milhares de pessoas transferidas para o local, para erguer o empreendimento. No entanto, ele ressalva que o projeto conta com um orçamento bilionário para amenizar impactos.

A Polícia Civil de Altamira fará levantamento dos danos causados pela invasão e vai apurar se houve saque ou apenas vandalismo. Por meio da assessoria, o Consórcio observou que já havia uma liminar proibindo o acesso de manifestantes ao sítio da empresa.

A invasão ao escritório é a segunda manifestação ocorrida em Belo Monte durante a realização do Xingu+23, evento paralelo à Rio+20. O Xingu+23, em Santo Antônio, a 50 quilômetros de Altamira, é uma espécie de conferência com atividades e debates em comemoração aos 23 anos de resistência contra Belo Monte.

Na primeira manifestação, na quinta-feira, cerca de 200 pessoas, entre indígenas, agricultores e pescadores afetados pela construção da usina ocuparam durante todo o dia o local onde a barragem será construída, próximo à vila de Santo Antônio.

No local, o consórcio ergue uma espécie de barragem de terra conhecido por ensecadeira. O Movimento Xingu Vivo para Sempre, em nota, nega incentivo ao quebra-quebra. A entidade organiza e coordena o Xingu+23.

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