Consórcio descobre petróleo em Campos

O consórcio formado pela norte-americana Devon Energy, a sul-coreana SK e a brasileira Odebrecht fez a primeira descoberta de petróleo em blocos licitados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).As empresas acharam óleo no bloco BM-C-8, na Bacia de Campos, arrematado na segunda rodada de licitações da agência, em 2000. É também a primeira descoberta de petróleo no País sem a participação da Petrobras.Ainda não dá para garantir a comercialidade do campo, mas a Devon, operadora do consórcio, vai perfurar um segundo poço na região ainda no primeiro semestre, para dimensionar as reservas.?Estamos otimistas com as análises que temos nas mãos?, diz o diretor de desenvolvimento de negócios da Odebrecht Óleo e Gás, Natal Mendes.Ao contrário do que tem ocorrido no Brasil, esse óleo foi encontrado em águas rasas, a uma lâmina d?água (distância entre a superfície e o fundo do mar) de apenas 100 metros.O bloco fica em frente à região de Cabo Frio, no Estado do Rio, e tem óleo pesado, mais difícil de extrair e de menor valor econômico, devido ao custo de refino. Mendes, porém, acredita que pode haver viabilidade devido à pouca profundidade. As últimas jazidas encontradas no Brasil estão a profundidades superiores a mil metros.As empresas descobriram óleo no local cerca de sete anos antes do fim do prazo exploratório estipulado pela ANP ? antes mesmo que os consórcios vencedores da primeira licitação, realizada em 1999, começassem a perfurar poços nos seus blocos.?Havia muitas informações disponíveis sobre o BM-C-8. A Petrobras já realizou muitas pesquisas por lá?, diz o superintendente de exploração da ANP, Osvair Trevisan.Pacote de informaçõesDe fato, o pacote de informações comprado pelas empresas às vésperas da licitação continha análises de 18 poços perfurados na região. Além disso, o bloco é o único do atual portfólio da Devon ? acionista majoritária do projeto, com 45% de participação ? no País, o que facilita o desembolso de recursos.A multinacional participava de outros dois projetos exploratórios e de um campo produtor ? Caraúna, no Rio Grande do Norte ? devolvidos à agência por falta de viabilidade econômica.O BM-C-8 foi adquirido em disputa com a dinamarquesa Maersk, vencida pelo consórcio Santa Fe (comprada posteriormente pela Devon), SK e Odebrecht no desempate.A proposta vencedora era 11% menor, em termos financeiros, que a Maersk, mas continha um compromisso maior com as compras de serviços e equipamentos no País, um dos critérios de pontuação nas licitações da ANP.Novas descobertasA descoberta em Campos foi anunciada à ANP em novembro. Antes, portanto, do anúncio das reservas da Shell na Bacia de Santos, feito no dia 21 de dezembro. O superintendente da ANP acredita que novas descobertas serão anunciadas ainda neste ano, quando serão perfurados, na plataforma continental brasileira, pelo menos 53 novos poços.Destes, 33 são poços pioneiros, isto é, os primeiros de cada bloco, feitos para obter uma confirmação concreta das análises sísmicas. Os outros 20 são chamados de poços de avaliação, perfurados para dimensionar reservas onde já há indícios de hidrocarbonetos.Existem hoje 24 programas de avaliação em prática no País, de acordo com Trevisan. O superintendente da ANP, porém, ressalta que diversas descobertas podem não vir a se tornar campos de produção de petróleo, por falta de viabilidade econômica.

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