Consórcio em alta mas atente às desvantagens

Para fugir das altas taxas de juros dos financiamentos, os consumidores estão procurando cada vez mais os consórcios para adquirir imóveis residenciais, comerciais, sítios, etc. O segmento apresentou crescimento de 190% nos últimos cinco anos, segundo Consuelo Amorim, presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac).A expansão do consórcio imobiliário despertou o interesse da Caixa Econômica Federal, que já anunciou que em breve estará oferecendo a opção. Consuelo entende que a entrada da Caixa nesse segmento trará mais credibilidade e divulgação para o mercado. Naul Ozzi, diretor do Consórcio Sopave, compartilha dessa opinião. No Sopave, diz, o crescimento está sendo de 15% ao mês. No Conprof, a expansão foi de 41%, de setembro de 2000 a setembro de 2001, segundo Patrícia Hernandez, gerente comercial da empresa. Nos três anos em que está atuando no setor, o aumento da procura no consórcio imobiliário da Porto Seguro foi de 111%, afirma José Perestrelo, gerente comercial. Na análise de Fábio Ferrari, gerente de Marketing do Consórcio Battistella, com os abalos econômicos, o consumidor está preferindo fazer investimentos em imóveis, por considerar essa opção mais segura.Como funcionaNo consórcio, o participante paga a cota mensal correspondente à compra do bem, dividido pelo número de meses de duração do grupo, mais a taxa de administração do fundo de reserva e o seguro. Nas empresas pesquisadas, a prestação e o valor da carta de crédito são corrigidos anualmente pela variação do Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).Os consórcios liberam mensalmente duas ou mais cartas de crédito (por lance e sorteio) para o participante comprar o bem. Para não contar apenas com a sorte e correr o risco de ser um dos últimos sorteados, muitos participantes dão lance de 30% ou 40% do valor da carta de crédito para tentar a compra o mais rapidamente possível.CuidadosAlexandre Costa Oliveira, técnico da área de Assuntos Financeiros do Procon-SP, diz que o consumidor precisa tomar alguns cuidados e não se deixar levar por conversa de vendedor nem por anúncios que prometam muitas vantagens. O consumidor deve estar ciente de que esta operação não se caracteriza como uma operação de crédito, na qual o benefício é concedido no ato e em troca paga-se uma taxa de juros. No consórcio, as pessoas pagam uma prestação mensalmente e apenas alguns são contemplados, seja por sorteio ou lance. A desvantagem nesse sentido é a não remuneração do capital depositado pelos não contemplados. Antes de decidir-se, o consumidor deve pesquisar a situação financeira do grupo e o nível de inadimplência; verificar no Banco Central se a administradora tem autorização para funcionar (telefone 0800-992345); e ligar para o Procon-SP (0- - 11-3824-0446) para saber se há reclamações.

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