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Consórcio estrangeiro fica com porto da MMX

Holandesa Trafigura e fundo soberano de Abu Dhabi fecharam acordo com Eike Batista para comprar o Porto Sudeste, no Rio

Irany Tereza, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2013 | 02h15

RIO - O empresário Eike Batista está conformado com a posição de minoritário que assumirá após a reestruturação do grupo, bem inferior ao que havia sido pensando no início do processo, então capitaneado pelo BTG, de André Esteves.

A palavra de ordem agora é vender tudo o que for possível, reduzindo a participação do empresário a fatias que variam de 2% (caso da OGX) a 20% (MMX), segundo apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Também não está descartada a hipótese de Eike deixar totalmente alguma empresa do grupo.

Ontem, a MMX divulgou ter firmado um acordo de entendimentos com a trading holandesa Trafigura e com o fundo soberano Mubadala, de Abu Dhabi, para aquisição do Superporto Sudeste, da MMX. O grupo de Eike comprometeu-se, pelo acordo, a negociar pelas próximas semanas exclusivamente com este consórcio.

Segundo fonte que acompanha as negociações, além da proposta concorrente da suíça Glencore, um consórcio nacional formado por Vale, CSN e Gerdau também conversava sobre o negócio, embora sem a mesma firmeza das duas outras propostas. Quase ao mesmo tempo, a empresa de energia MPX informou que Eike está negociando a venda de mais ações na empresa.

O acordo com as estrangeiras Trafigura e Mubadala prevê a aquisição de uma participação acionária total de 65% da MMX Porto Sudeste, em troca de emissão e subscrição de ações da empresa no valor de US$ 400 milhões e o compromisso de assumir a maior parte das dívidas da mineradora. "Com efeito, MMX Porto Sudeste contará com os recursos necessários para concluir o projeto do Superporto Sudeste e os negócios de mineração da MMX ficarão essencialmente livres de dívidas", informou o comunicado.

A MMX Porto Sudeste vai assumir todas as dívidas bancárias da MMX Sudeste Mineração S.A. e dos títulos MMXM11 após a conclusão do acordo. A dívida financeira total da MMX era de R$ 3 bilhões em 30 de junho.

Joia da coroa. O porto, no litoral do Rio, é considerado um dos ativos mais valiosos entre as empresas do grupo EBX. De acordo com o projeto, o terminal terá capacidade de movimentar 50 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, com a conclusão da primeira fase de obras em meados de 2014.

Inicialmente, Eike relutava em vender o porto separado da mina, já que sem a logística o minério de ferro não poderia ser transportado. No entanto, o negócio entre as empresas prevê uma reserva de capacidade de transporte para a própria MMX Mineração, inicialmente de 7 milhões de toneladas anuais com opção de ser elevada para 13 milhões de toneladas por ano em junho de 2015.

Depois que o negócio foi anunciado, um executivo do fundo Mubadala afirmou que o grupo tem interesse de comprar outros ativos da EBX. "O Mubadala não descarta o interesse em outros ativos do EBX que possam ter valor significativo", afirmou Brian Lott, que é diretor executivo de comunicações do fundo soberano de Abu Dhabi. "Nós acreditamos que o porto tem valor significativo", disse Lott.

Segundo fontes ouvidas pela agência de notícias Dow Jones, o Mubadala pode usar parte do crédito de US$ 1,5 bilhão que tem com a EBX, para pagar pela compra de uma fatia da MMX Porto Sudeste. Caso parte do crédito que a Mubadala tem com o Grupo EBX seja usada na compra da MMX Porto Sudeste, isso reduziria a exposição do total do fundo soberano de Abu Dhabi ao grupo de Eike Batista. / COM REUTERS E DOW JONES

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