Consórcio imobiliário é opção para classe média

O consórcio de imóveis pode ser opção para quem não tem mais acesso ao financiamento da Caixa Econômica Federal, dinheiro para adquirir casa ou apartamento à vista ou, ainda, não tem como comprovar renda para fechar o negócio pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Segundo dados da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac), no primeiro semestre o segmento de imóveis apresentou crescimento de 24,5%, com 85,6 mil participantes, diante dos 68,8 mil de 2000. Entre 1995 e 2000, houve expansão de mais de 180%, saindo de 30,4 mil para os atuais 85,6 mil consorciados.Para a presidente da Abac, Consuelo Amorim, a evolução ocorreu porque os consórcios ganharam mais independência e flexibilidade nos últimos anos, principalmente no setor de imóveis. Segundo ela, por meio do consórcio o cotista poderá adquirir a casa própria, casa de praia, chácara ou terreno ou, ainda, construir ou reformar seu imóvel, pagando parcelas de acordo com seu poder aquisitivo, sem os juros cobrados nos financiamentos ofertados no mercado. "O consórcio atende qualquer pessoa, independentemente de classe social, com uma ampla variedade de opções, que vai desde a primeira casa própria até um imóvel comercial."O funcionamento do sistema segue o modelo dos consórcios de automóveis, mas, em vez de ser contemplado com um carro, o consorciado recebe uma carta de crédito. Conforme a presidente da Abac, não há limites mínimos e máximos de crédito ou de parcela. Em geral, os consórcios trabalham com valores entre R$ 20 mil e R$ 250 mil, e entre 100 e 120 parcelas. No Consórcio Profissional (Conprof), por exemplo, as opções de crédito vão de R$ 20 mil a R$ 200 mil, em até 120 parcelas; na Porto Seguro, os créditos variam de R$ 30 mil a R$ 130 mil, em até 144 parcelas.As cartas de crédito podem ser adquiridas por lance ou por sorteio. Em geral, os consórcios promovem uma assembléia por mês, em que há liberação de uma carta de crédito por sorteio e outra por lance. Os sorteios são feitos por intermédio da Loteria Federal. O Conprof, conforme a gerente de vendas Patrícia Hernandez, trabalha ainda com o lance vinculado. Nele, o próprio consórcio financia o lance para o consorciado. O lance pode corresponder a até 30% do total das parcelas. Para que fique mais claro, acompanhe um exemplo. Supondo um consorciado que esteja em grupo de R$ 20 mil em 120 parcelas. O consórcio poderá financiar até 36 parcelas (30% de 120) ou R$ 8.105,76. O consorciado vai receber uma carta de crédito de R$ 11.894,24. "Se o participante precisa de valor maior, ele poderá ingressar em um grupo com crédito mais elevado."CuidadosSegundo dados do Procon-SP, nos seis primeiros meses deste ano houve 125 consultas e 18 reclamações sobre consórcios de imóveis à entidade. A assistente de direção do Procon-SP Dinah Barreto orienta os interessados em ingressar em um consórcio de imóveis que consultem antes o Banco Central (0800-99-2345) para conferir se a administradora está autorizada a formar novos grupos. Além disso, o futuro participante deve verificar também como será calculada a parcela e o índice de atualização das prestações.A presidente da Abac diz que o interessado em aderir a um consórcio de imóvel deve ter certeza de sua disponibilidade financeira para o ingresso no grupo e, se possível, jamais desistir. "Se tiver de interromper a participação, o consorciado deverá tentar transferir a cota para outra pessoa. Isso porque, em caso de desistência, ele só receberá as parcelas pagas no fim do grupo." Além disso, após o contato com o corretor, o interessado deverá consultar a administradora, para confirmar as condições ofertadas e ler com atenção os termos do contrato de adesão, uma vez que esse será o instrumento que vai reger o relacionamento com a administradora durante toda a existência do grupo.Veja mais dicas sobre os consórcios no link abaixo.

Agencia Estado,

03 de setembro de 2001 | 18h00

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