Consórcio liderado pela Odebrecht vence leilão do Madeira

A disputa foi definida logo na primeira fase, com um lance R$ 78,90 por MWh, com deságio de 35%

Leonardo Goy, Wellington Bahnemann e Gerusa Marques, da Agência Estado,

10 de dezembro de 2007 | 13h05

O consórcio Madeira Energia, liderado pelo Grupo Odebrecht e pela estatal Furnas, venceu nesta segunda-feira, 10, o leilão da hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, organizado na sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em Brasília. O consórcio definiu que destinará 70% da energia ao mercado cativo. A disputa foi definida logo na primeira fase, com um lance R$ 78,90 por MWh, com deságio de 35%.  O valor de venda de energia para as distribuidoras fechou em R$ 78,87 por Mwh, ligeiramente inferior ao oferecido pelo consórcio. A diferença deve-se a um fator de redução que a Aneel estabelece ao lance vencedor, levando-se em conta o porcentual que será destinado ao mercado livre. Como o consórcio optou por fazer valer o porcentual máximo permitido para venda ao mercado livre (30%), o fator redutor foi o maior possível.  A proposta tinha de ser inferior ao teto de R$ 122 por megawatt hora (MWh) estabelecido pelo governo. O sistema eletrônico desenvolvido pela Aneel calcularia, então, a diferença entre os lances. O princípio do leilão é o da menor tarifa, ou seja, vence quem cobrar menos pela energia. O ministro de Minas Energia, Nelson Hubner, se mostrou bastante contente com o resultado do leilão, em rápida entrevista a jornalistas. "Olha o meu sorriso", afirmou ao ser questionado sobre o resultado. Ele disse que esperava que o preço ficasse abaixo de R$ 100 por MWh. O leilão acabou registrando deságio de 35%, atingindo preço de R$ 78,90 por Mwh. Hubner afirmou que, na sala da Aneel onde acompanhava o leilão, chegou a fazer um bolão de apostas com parlamentares e diretores da Agência. A aposta de Hubner era de 3% abaixo do menor valor apostado por seus colegas de bolão, que foi de R$ 101. Hubner deverá dar entrevista coletiva em instantes para comentar o resultado do leilão. Hubner estava acompanhado do diretor geral da Aneel, Jerson Kelman, que disse ter ficado surpreso com o valor pago pelo consórcio Madeira Energia.  O Complexo do Madeira marca a retomada das megahidrelétricas no País, como Itaipu, Tucuruí e Xingó. O complexo, de 6.450 megawatts (MW), é o empreendimento elétrico mais importante e desafiador do Brasil hoje.  As duas primeiras turbinas de Santo Antônio, de um total de 44 máquinas, devem começar a operar no fim de 2012. As demais unidades entrarão em funcionamento no ritmo de uma por mês. No total, a usina demorará 7 anos e 5 meses para operar na capacidade máxima, segundo o projeto entregue à Aneel. Ou seja, estará concluída por volta de 2016.  Confusão A realização do leilão gerou confusão na sede da Aneel nesta manhã. O prédio do órgão regulador foi ocupado por cerca de quatro horas por manifestantes contra a construção das hidrelétricas, que, segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, agrediram funcionários da Aneel. Segundo o tenente Ricardo Ferreira Napoleão, do Batalhão de Operações Especiais, pelo menos sete pessoas foram detidas, algumas delas algemadas, por acusação de agressão e dano ao patrimônio público. Entre elas estariam lideranças de vários movimentos. O oficial afirmou que a polícia está fazendo um levantamento sobre as possíveis agressões e eventuais prejuízos à estrutura da Aneel após as manifestações. Informações preliminares, de pessoas que acompanharam de perto o tumulto, dão conta de que os manifestantes desmontaram uma estrutura montada para recepcionar os participantes do leilão e a imprensa, porém não conseguiram avançar até o local onde será realizado o leilão.  O leilão provoca protestos devido ao fato de as usinas do Madeira se instalarem em um dos afluentes do Rio Amazonas, dando início a projetos energéticos na região da Amazônia. A ONG "Amigos da Terra - Amazônia Brasileira" entrou com pedido de liminar na Justiça pela suspensão do leilão da usina de Santo Antônio, nesta segunda.  O juiz Náiber Pontes de Almeida, da 4ª Vara Federal de Brasília, transferiu o julgamento para a Justiça Federal.

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