Consórcio suspende obras de estaleiro na BA

Grupo formado por Constran, Odebrecht e OAS paralisou a construção de complexo que iria fabricar sondas

TIAGO DÉCIMO, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2015 | 02h05

SALVADOR - A Enseada Indústria Naval (EIN) confirmou para o próximo sábado a paralisação por tempo indeterminado da instalação do Estaleiro Enseada do Paraguaçu, que está sendo construído pelo Consórcio Estaleiro Paraguaçu (CEP) em Maragogipe, no Recôncavo Baiano. As obras foram iniciadas em 2013, com investimento previsto de R$ 2,3 bilhões, e o complexo foi planejado para produzir sondas para exploração de petróleo em águas ultraprofundas.

A paralisação oficial era esperada desde o fim do ano passado, quando o consórcio, formado pelas construtoras Constran, Odebrecht e OAS, passou a demitir funcionários da obra. Em dezembro, os trabalhadores chegaram a fazer uma manifestação contra os cortes de pessoal. Desde o início do ano passado, foram cerca de 5 mil demitidos - os 100 últimos funcionários do CEP serão desligados no fim de semana.

De acordo com a EIN, que pertence às construtoras Odebrecht, OAS e UTC, além do grupo japonês Kawasaki, responsável pelo empreendimento, o estaleiro tem 82% das obras concluídas. Em nota, a empresa informou que as obras serão retomadas "tão logo o cenário de falta de liquidez seja superado" e os funcionários demitidos terão prioridade na recontratação.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada e Montagem Industrial do Estado da Bahia (Sintepav-BA), o principal cliente do estaleiro, a Sete Brasil - empresa criada pela Petrobrás com parceiros privados para gerenciar a construção e operar as sondas - deve cerca de R$ 500 milhões em repasses para a EIN. O contrato entre as partes prevê a construção de sete sondas, a um custo total de US$ 7 bilhões.

A EIN informa que duas sondas já tiveram a construção iniciada e essas obras serão mantidas por funcionários próprios. Outra obra que deve ser concluída é a montagem do superguindaste Goliath, de 150 metros de altura e capacidade de operar com cargas de até 1,8 mil toneladas. O equipamento deve ser entregue no próximo mês, de acordo com a empresa.

A suspensão das obras do estaleiro e as demissões fizeram o secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, James Correia, cobrar ações do governo federal, apesar de o Estado também ser governado pelo PT. "Não é só um problema da Bahia, é algo que está sendo verificado em estaleiros por todo o País e é preciso um empenho maior (do governo federal) para resolver essa questão", disse. "É uma irresponsabilidade deixar a situação chegar onde chegou."

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