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Construção civil cria mais vagas fora das capitais

Expansão de empregos no setor chegou a 30,3% no interior, ante 15,6% das principais cidades do País

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2027 | 00h00

O boom de crescimento da construção civil começa a se espalhar dos grandes centros urbanos para o interior do País. A tendência já aparece nos números do emprego formal do setor. No período de 12 meses até junho, a criação de postos de trabalho com carteira assinada nas cidades do interior cresceu a uma taxa 100% maior que nas nove principais regiões metropolitanas brasileiras, quando comparada com o saldo de 2006. No interior, o emprego teve crescimento de 30,3%, enquanto nas regiões metropolitanas a alta foi de15,6%.''''Num setor intensivo em mão-de-obra como o da construção civil, o emprego representa um bom indicador do ritmo de atividade'''', diz Sergio Vale, economista da consultoria MB Associados, autor do estudo sobre a evolução do emprego no setor. Para chegar a essa conclusão, ele se baseou em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.O crescimento do mercado imobiliário, agora com mais força rumo ao interior, tem sido sustentado principalmente pela oferta de crédito farto. Soma-se a isso o cenário de juros ainda em queda, a melhoria da renda, a expansão do emprego e as medidas de desoneração tributária e outras anunciadas pelo governo para estimular o setor.Para analistas, a crise no setor de financiamento imobiliário dos Estados Unidos pode até ter efeito positivo no Brasil. Eles argumentam que fundos de investimentos americanos podem dirigir seus recursos para o País. Além disso, lembram que o grau de investimento que o Brasil deve alcançar até 2008 levará a um aumento ainda maior da oferta de crédito.Os financiamentos concedidos pela Caixa Econômica Federal somaram R$ 8,542 bilhões no período de janeiro até 13 de agosto, o que representa um aumento de 6% em relação ao volume liberado no mesmo período de 2006 (R$ 8,052 bilhões). O orçamento da Caixa para operações de crédito na área habitacional, que reúne recursos de várias fontes, como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a poupança, é de R$ 14,837 bilhões para este ano. Em 2006, foram destinados R$ 14,534 bilhões para essa tipo de crédito.O crédito para compra da casa própria chega cada vez mais ao interior do País e às camadas de renda mais baixa da população. Há cinco anos, os financiamentos habitacionais da Caixa chegavam a 3.872 municípios do País. Em 2006, esse número subiu para 4.687 municípios. ''''Neste ano, vamos alcançar 4.802 municípios'''', diz Vera Vianna, superintendente nacional de Habitação da Caixa.Segundo ela, nos financiamentos com recursos do FGTS, que são fortemente subsidiados, 52% do crédito ia para população com renda de até cinco salários mínimos em 2002. No ano passado, essa participação chegou a 85%.Já o volume de operações de crédito imobiliário contratado pelos agentes financeiros do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE), que trabalha com recursos da caderneta de poupança, vem batendo recordes em cima de recordes desde 2004. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), os financiamentos para o mercado imobiliário neste ano atingiram R$ 8,52 bilhões até o mês passado, o que representa crescimento de 71,8% em relação a igual período de 2006.Esse montante viabilizou a aquisição de 98,7 mil unidades em todo o País. No ano passado inteiro, foram financiadas 115,5 mil unidades. Foi a primeira vez, desde 1988, que o número de imóveis financiados com recursos da poupança ultrapassou a casa dos 100 mil.Os resultados do SBPE referentes aos primeiros meses do ano também apontam para a desconcentração do crédito, quando confrontados com os de anos anteriores. A Região Sudeste, que chegou a deter 80% do volume total das operações com recursos da poupança em 2005, hoje fica com cerca de 70%.A participação dos Estados do Centro-Oeste no bolo do crédito imobiliário saltou de 3,8% para 6,3%, enquanto a do Nordeste subiu de 5% para 8%. A fatia da Região Sul passou de 10% para 12% e a do Norte, de 0,9% para 1,8%. ''''Não é que o Sudeste tenha perdido importância'''', diz a economista Ana Maria Castelo, da FGV Construções. ''''A demanda nas demais regiões é que começou a crescer.''''SÃO PAULOO levantamento feito pela MB Associados mostra que a Região Metropolitana de São Paulo continua puxando o crescimento da construção civil. A região foi responsável por mais da metade (30 mil) dos 58 mil empregos abertos entre julho de 2006 e junho deste ano nas nove regiões metropolitanas analisadas (Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Belém, Fortaleza, Salvador e São Paulo).De janeiro a julho deste ano, a Secretaria de Urbanismo de Campinas já expediu alvarás para execução de obras numa área total de 256 mil metros quadrados, o que representa aumento de 242% em relação a igual período de 2006. A Cristais Prado Empreendimentos, que se associou à Rossi Residencial, tem programado cinco lançamentos este ano no Parque Prado, bairro de classe média alta. ''''As pessoas estão mais confiantes para assumirem um compromisso de 15 ou 20 anos'''', diz Rui Scaranari, diretor da Cristais Prado.

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