Construção civil recua pelo 7º mês seguido

Sondagem mostra que as empresas demitiram em junho e não pretendem aumentar contratações nos próximos meses

NIVALDO SOUZA /BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2014 | 02h04

O setor de construção voltou a apresentar piora no nível de atividade no índice medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), marcando 44,5 pontos na Sondagem Indústria da Construção de junho divulgada ontem. Foi o sétimo mês seguido de atividade abaixo dos 50 pontos, considerado a linha divisória entre bom e ruim no levantamento. Em maio, a sondagem havia registrado 45,8 pontos.

O pessimismo levou o setor a demitir em junho, indicando que o nível de emprego deve se manter estável no segundo semestre, o que contraria a previsão do governo de que a terceira fase do programa Minha Casa, Minha Vida puxará a atividade da construção.

O economista Danilo Garcia, da CNI, avalia que a estabilidade do nível de emprego está disseminada entre os empresários. "O setor de edifícios (residenciais) ainda mantém uma expectativa de aumento de empregos, mas não dá para dizer que isso é relacionado ao Minha Casa", diz. Ele ressalta que desde janeiro o aumento das demissões vem sendo verificado. "Não há uma expectativa de recuperação no curto prazo, principalmente do setor de infraestrutura, que é menos otimista e depende mais de encomendas governamentais."

As demissões de junho foram registradas a partir da redução do item sobre evolução do quadro de empregados que as empresas respondem na pesquisa. Esse indicador recuou de 45,7 pontos, em maio, para 45,3 pontos, em junho. Os três setores da construção pesquisados (infraestrutura, edifícios e serviços especializados) também registraram queda na atividade no mês passado.

O recuo maior foi nas construtoras que tocam obras de infraestrutura, cujo indicador marcou 41,7 pontos, em comparação a 46,3 pontos para o segmento de construção de edifícios e 43 pontos para serviços especializados. Com relação às expectativas para julho, as empresas disseram que não têm previsão de novas contratações - o indicador que mede o aumento do quadro de funcionários é de 49,4 pontos para julho, ante 50,1 pontos da previsão feita para junho.

Finanças ruins. A pesquisa foi feita entre 1º e 11 de julho com 534 empresas, das quais 167 de pequeno porte, 239 médias e 128 grandes. A empresas ouvidas pela Sondagem reportaram maior dificuldade em obter crédito. Esse indicador registrou 37,9 pontos. A pesquisa também registrou insatisfação dos empresários com a situação financeira (45,1 pontos). A sondagem indicou, ainda, um aumento na inadimplência dos clientes da construção, que passou de 15,7% para 21,4%.

A margem de lucro operacional também foi considerada insatisfatória pela construção no primeiro trimestre, com 41,4 pontos. Já o custo de insumos e matérias-primas aumentou, em comparação ao trimestre anterior, atingindo 59,1 pontos.

Perspectivas. Os empresários da construção sinalizaram que estão menos otimistas em relação ao desempenho do setor para o mês de julho, com indicador de nível de atividade de 51,2 pontos, ante 51,5 pontos de junho. A expectativa sobre novos empreendimentos e serviços deixou de ser otimista, segundo a CNI, e entrou num ritmo de estabilidade pela primeira vez. O indicador situa-se em 50,3 pontos, na média geral, contra 51 pontos em junho.

As grandes empresas apresentaram expectativa de queda (48,8 pontos).

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