Construção civil teme cortes de verbas

Representantes do setor da construção civil avaliam que os financiamentos para as áreas de habitação e saneamento básico ficarão "estrangulados". Esse seria o resultado da decisão de estender a todos os trabalhadores a correção dos saldos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A razão da limitação é que, para honrar os pagamentos, o governo teria de dispor de recursos do fundo que normalmente são destinados a esses desses setores. Segundo o vice-presidente de incorporação do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Basílio Jafet, uma restrição na liberação de carta de crédito imobiliário, por exemplo, significará diminuição no ritmo da produção de novos empreendimentos e aumento de desemprego. Também não haveria resultados satisfatórios para o governo, uma vez que a receita será bastante inexpressiva. Segundo Jafet, os recursos do FGTS para habitação e saneamento somam aproximadamente R$ 3,8 bilhões por ano, sendo R$ 3 bilhões para a habitação e R$ 800 milhões para o saneamento. Para ele, embora o volume pareça razoável, seria difícil para o governo abater a dívida estimada em cerca de R$ 38 bilhões correspondente à correção dos saldos. Além disso, a meta de extinguir o déficit habitacional no Brasil, em torno de 5,5 milhões de moradias, seria abandonada. Jafet propõe o parcelamento da dívida em negociações com os sindicatos de trabalhadores. Uma outra sugestão seria a criação de novo precatório, que poderia ser pago respeitando um limite de prazo. Nesse caso, porém, os recursos provavelmente acabariam saindo do Tesouro. "A Caixa Econômica Federal (CEF), com os recursos do FGTS, financia pelo menos 70% de imóveis em todo o País, cerca de 5 mil unidades por mês, ou 60 mil por ano, cuja maioria é produzida para famílias de renda inferior a 20 salários mínimos", estimou Jafet. Criação de imposto é sugestão Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Luiz Roberto Ponte, o governo federal poderia criar alguns impostos seletivos, aliados à reforma tributária, sobre energia, combustível, comunicações, veículos, cigarros e bebidas. Segundo o presidente da CBIC, esse imposto poderia evitar a redução dos investimentos na construção civil e em saneamento básico no Brasil para pagar dívidas, como a correção dos saldos da FGTS.

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