Construção de Angra 3 começa este ano, afirma Eletronuclear

Licença para obras deve ser concedida pelo Ibama ainda neste mês e construção começa no 2º semestre

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

16 de junho de 2008 | 14h25

O presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, disse nesta segunda-feira, 16, que as obras de construção da usina de Angra 3 terão início no segundo semestre. Segundo ele, a licença prévia para o início do empreendimento será concedida pelo Ibama ainda este mês e, até setembro, estará garantida a licença de instalação da usina.   Pinheiro da Silva argumentou, em entrevista à Agência Estado, que sua confiança de que não haverá problemas no licenciamento está baseada no fato de que "nenhuma obra na área de energia foi tão discutida quanto Angra 3 e talvez essa seja a obra de energia com menos incerteza técnica". Ele acrescentou que o maior impacto ambiental do empreendimento já ocorreu no período entre o início e a paralisação das obras, ou seja, entre 1984 e 1986.   O presidente da Eletronuclear acredita que a obra cumprirá o cronograma previsto no Plano Decenal de Energia do governo (2007 a 2016) e estará concluída entre julho e agosto de 2014. A usina terá potência de 1.350 megawatts (MW) e está entre as nove principais obras previstas no Plano.   O prazo de construção da usina é de 5,5 anos após a conclusão da primeira fase (a chamada primeira laje, ou fundação), que deverá estar concluída até fevereiro do próximo ano.   Quatro centrais   Ele explicou também que o governo mantém a decisão de instalar mais quatro centrais nucleares no País, sendo que duas estarão localizadas no Nordeste e pelo menos uma no Sudeste. Segundo ele, o entendimento é que a geração nuclear será fundamental como "estoque de energia" para o País nas próximas décadas.   O presidente da Eletronuclear disse que a escolha do local no qual será instalada a primeira central deverá ocorrer entre o final de 2008 e início do ano que vem. "É um estudo muito técnico e após a sua conclusão, no próximo ano, vamos iniciar o planejamento", afirmou.   A instalação das quatro centrais está prevista para ocorrer até 2030, com a geração, na soma das quatro, de pelo menos 6.000 MW de energia. Atualmente, Angra 1 e Angra 2 têm, juntas, 2.000 MW de potência, enquanto Angra 3 terá 1.350 MW. Ele disse que o objetivo é que as quatro novas centrais tenha 70% de índice de nacionalização nos equipamentos.   Ele lembrou que nos anos de 2006 e 2007 a energia nuclear foi a segunda maior geradora de energia elétrica do País, perdendo apenas para energia hidrelétrica. "Isso mostra que a energia nuclear já é uma questão do presente, não do futuro", afirmou. Pinheiro da Silva participou de seminário realizado pela American Nuclear Society (LAS/ANS) no Rio.

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