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Construção deve crescer o dobro este ano

Com aceleração do PIB, avanço do setor pode chegar a 9,3% ante 4,6% em 2006, segundo estimativa da FGV

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 00h00

O ritmo de crescimento do setor imobiliário deverá mais que dobrar neste ano. A previsão é de que a construção civil cresça entre 7,9% e 9,3% na comparação com 2006, tendo como pano de fundo um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 4,4% e 5,1%. A taxa de aceleração do setor imobiliário em 2006 foi de 4,6%.A estimativa é do economista Fernando Garcia, coordenador da FGV Projetos, que traçou uma radiografia do setor imobiliário e descarta a possibilidade de boom ou de que está sendo gestada uma bolha imobiliária no País, a exemplo do que ocorre hoje nos Estados Unidos.Ele sustenta as projeções baseado no bom desempenho alcançado até agora. De janeiro a julho, por exemplo, o consumo aparente de cimento aumentou 15,1% em relação a igual período de 2006. O consumo aparente é a produção nacional, descontadas as exportações e acrescida das importações.As vendas de vergalhão, outro insumo básico da construção civil, aumentaram 9,3% no primeiro semestre ante o mesmo período de 2006. De janeiro a julho, o faturamento da indústria de materiais de construção cresceu 7,5% e o emprego, 7% na comparação com o primeiro semestre do ano passado. ''''Não se constrói sem aço, cimento e mão-de-obra'''', observa Garcia.Os financiamentos imobiliários confirmam o ritmo vigoroso do setor. De janeiro a julho, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) financiou R$ 8,5 bilhões em imóveis, cifra 72% maior em relação à registrada no mesmo período do ano passado. Os investimentos no setor também aumentaram 14,7% em termos reais desde 2005. ''''O Brasil rapidamente caminha para financiar 600 mil unidades por ano, retomando a marca do início dos anos 80.''''Diante do ritmo acelerado da construção civil, o economista da FGV Projetos acredita que contribuição do setor imobiliário residencial para o PIB possa triplicar até 2010. Entre 1995 e 2005, o PIB brasileiro cresceu, em média 2,38%, ao ano e a contribuição do setor foi de apenas 0,2 ponto porcentual. Num ranking de cinco países, dois desenvolvidos (EUA e Espanha) e três emergentes (Coréia, México e Brasil), o Brasil ficou na lanterninha na contribuição do setor imobiliário para o PIB.Na Coréia, observa Garcia, o crescimento médio do PIB foi de 4,85% ao ano entre 1995 e 2005 e a construção civil respondeu por 0,6 ponto porcentual. Para ele, é factível o País triplicar a contribuição da construção civil no PIB e repetir o desempenho da Coréia.O economista lembra que, no passado, entre 1975 e 1985, a contribuição da construção civil no crescimento da economia nacional já havia sido de 0,6 ponto porcentual. Na época estava em execução o 2º Plano Nacional de Desenvolvimento (PND). Depois disso, os investimentos no setor minguaram. Tanto é que os gastos médios per capita em habitação entre 1995 e 2005 foram de apenas US$ 327 no País. No mesmo período, os EUA e a Coréia investiram na habitação US$ 1,8 mil e US$ 1 mil, respectivamente, por habitante ao ano.Garcia destaca que o mercado imobiliário tem potencial para avançar no segmento da baixa renda, onde se concentra o déficit habitacional. Segundo o superintendente da vice-presidência de Negócios Imobiliários do Santander Brasil, Mauro Costa, 13,8% do déficit habitacional no País está entre as famílias com renda de 3 a 10 salários mínimos.A incorporadora Agra, por exemplo, especializada em imóveis entre R$ 200 mil e R$ 300 mil, está se preparando para apostar no mercado de baixa renda, com imóveis abaixo de R$ 80 mil. ''''Temos um projeto para a baixa renda'''', afirma Luiz Roberto Horst, presidente da companhia, que acaba de abrir o capital.

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