Construção deve puxar retomada do emprego

Para especialistas, crédito acessível e pacote habitacional devem estimular setor e criar empregos

Isabel Sobral, O Estadao de S.Paulo

06 de junho de 2009 | 00h00

Apesar de o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ter antecipado uma recuperação do emprego na indústria de transformação no mês de maio, é na construção civil que especialistas concentram as expectativas de recuperação da atividade e, consequentemente, de oferta de empregos com carteira assinada neste início de ano.Para o setor da construção é possível considerar que o "fundo do poço" ficou para trás, segundo Sérgio Mendonça, supervisor do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Fatores como a redução dos juros básicos, o apetite dos bancos por aumentar sua fatia no crédito habitacional e o programa do governo federal "Minha Casa, Minha Vida", que ainda não deslanchou totalmente, devem estimular o setor nos próximos meses, com reflexo nos empregos. "São fatores que dão ânimo às construtoras para investir e esperar bom retorno", disse o técnico. Os dados sobre o emprego formal em maio ainda serão divulgados pelo Ministério do Trabalho.O professor da USP, José Pastore, concorda que o potencial de crescimento da construção civil é "excelente". "Se os projetos do ?Minha Casa, Minha Vida? realmente saírem do papel, esse setor pode até explodir", comentou. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, divulgados até agora comprovam que a construção civil é um dos setores com recuperação mais rápida na criação de ocupações formais de janeiro a abril deste ano no País, após o tombo de dezembro do ano passado.No entanto, ainda não foram recuperadas todas as vagas fechadas no último mês de 2008, quando 82.432 empregos foram perdidos. No primeiro quadrimestre de 2009, o setor acumula um saldo positivo entre demissões e contratações de 43.667 postos de trabalho, um pouco mais da metade das perdas de dezembro.

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