Amit Dave/Reuters
Amit Dave/Reuters

Construção teve piora na atividade e no nível de emprego com greve

Sondagem da CNI mostra que setor foi um dos mais afetados pela paralisação; empresários não preveem melhora

André Borges, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2018 | 04h00

BRASÍLIA- A indústria da construção amargou fortes prejuízos com a greve dos caminhoneiros, nos últimos 11 dias de maio. A interrupção no transporte de insumos causou queda da atividade e aumento da ociosidade, além de ter afetado negativamente a expectativa dos empresários, segundo a Sondagem da Indústria da Construção, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

+ Greve derruba indústria e setor tem o pior mês da história em maio, diz Ipea

A atividade recuou 2,5 pontos, de 46,9 em abril para 44,4, em maio, na maior retração registrada desde dezembro de 2014, quando o indicador apresentou queda de 3,6 pontos. O indicador sobre emprego recuou 0,3 ponto, para 44,3 pontos.

+ Arrecadação em maio soma R$ 106,192 bilhões, aumento real de 5,68%

Os indicadores da pesquisa variam de zero a cem pontos. Quando estão abaixo dos 50 pontos, mostram queda da atividade e do emprego. A utilização da capacidade de operação ficou em 57%. Isso significa que o setor manteve fora de operação 43% das máquinas, equipamentos e pessoal no mês passado.

“Com a greve dos caminhoneiros, a indústria da construção tem sofrido ainda mais dificuldades para se recuperar da crise econômica. O setor foi o primeiro a sentir os efeitos da recessão e tem enfrentado quedas consecutivas na atividade e no emprego”, afirma a economista da CNI Isabel Mendes.

+ Paralisação faz confiança do consumidor em junho chegar ao menor nível em 10 meses

De acordo com a pesquisa, os índices de expectativas e de confiança dos empresários mostram que não há perspectivas de reação do setor. Com exceção do índice de expectativa de nível de atividade, que recuou para 50,4 pontos, os demais ficaram abaixo dos 50 pontos, mostrando que os empresários esperam queda de novos empreendimentos e serviços, de compra de insumos e matérias-primas e do número de empregados nos próximos seis meses.

Safra travada. A crise logística persiste, com a indefinição sobre a tabela de frete. As tradings de grãos, que compram a produção nas fazendas e exportam o produto, não estão dispostas a pagar o que os caminhoneiros pedem e boa parte dos grãos permanece estocada nos silos e centros de armazenamento.

“Esse problema tende a se agravar nos próximos dias, porque começamos a receber a safrinha do milho, que vai ficar sem espaço para estoque”, diz Cristiano Palavro, analista técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag). O impasse já mexeu com os preços. “As empresas que estão comprando hoje querem pagar R$ 27 (pela saca de 60 quilos). É uma queda de mais de 20%. Os produtores não querem vender imediatamente por causa disso. Cerca 70% da produção ainda não foi negociada.”

Mais conteúdo sobre:
Construção Civil greve caminhoneiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.