Construtora PDG tem dívida de R$ 3,9 bi com bancos nacionais

Recuperação judicial deve pressionar balanços de instituições como Bradesco, Itaú, BB, Votorantim, Caixa e BTG

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2017 | 05h00

A dívida da incorporadora PDG, que pediu recuperação judicial na quarta-feira, com os grandes bancos soma cerca de R$ 3,9 bilhões, apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O pedido de proteção à Justiça do grupo, se aprovado, será o maior do setor imobiliário, que tem dívidas totais de R$ 7,8 bilhões.

Por causa da crise na PDG, os bancos – Bradesco, Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Santander, Votorantim e BTG Pactual – devem elevar as despesas para crédito inadimplente no primeiro trimestre. O valor considera apenas as dívidas inseridas no processo de recuperação e não os valores extraconcursais.

Na prática, porém, esses bancos já vinham elevando as provisões para a PDG, considerando que a construtora já considerava pedir recuperação judicial desde o fim do ano passado, apurou o Broadcast.

Apesar de ser o maior pedido de recuperação do setor imobiliário, a PDG tende a fazer menos estrago, uma vez que a exposição dos bancos à empresa é menor comparado aos casos de Sete Brasil e Oi. Mesmo assim, o caso é considerado complexo. “A PDG é muito grande, com vários sócios e credores. Pela complexidade, a solução da empresa não seria encontrada fora de um ambiente jurídico. A recuperação judicial pode ser muito positiva”, diz um dos credores.

De olho nas recuperações judiciais, os bancos têm feito provisões em seus balanços. Juntos, Bradesco, Itaú, Santander e BB haviam separado R$ 132,6 bilhões, em dezembro, cifra 14,3% superior à registrada um ano antes, de R$ 115,9 bilhões.

Procurados, Caixa, Santander e BB não comentaram. Os outros bancos não retornaram.

Rossi. Em processo de reestruturação iniciado há dois anos, a Rossi Residencial continua a conversar com os bancos credores, como Bradesco e Banco do Brasil, para realongar suas dívidas de curto prazo, de cerca de R$ 320 milhões. Os débitos totais somam cerca de R$ 2,4 bilhões – quase metade deste valor refere-se à dívida corporativa (da holding com os bancos). A outra parte é de financiamento de projetos com bancos, que têm os imóveis como garantia.

Ao Estado, Fernando Miziara, diretor financeiro da Rossi, disse que onda de distratos (devoluções de imóveis) teve forte impacto sobre o grupo, mas não afetará as obras. Há 17 obras em curso – 15 previstas a ser entregues este ano e outras duas, em 2018. “A volta de João Paulo Rossi Cuppoloni à presidência do grupo mostra o comprometimento da Rossi”, disse. A RK Partners é o reestruturador da Rossi. Os bancos não quiseram comentar a situação do grupo. /COLABOROU CIRCE BONATELLI

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