Construtora WTorre desiste de abrir capital

Prazo para a operação venceu ontem; empresa diz que não deve retomar o processo pelos próximos dois anos

Melina Costa, Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

A construtora WTorre não deve realizar sua abertura de capital no curto prazo, apesar de a operação já ter sido anunciada diversas vezes ao mercado. No início do ano, a empresa protocolou um processo de IPO na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), cujo prazo de validade venceu ontem. Isso significa que, para captar dinheiro na Bolsa, a empresa precisaria dar entrada em um novo pedido.

A construtora informou ao Estado, porém, que não pretende realizar a operação nos próximos dois anos, já que teria encontrado "outras soluções" para captar recursos.

A capitalização tem sido uma questão crucial para a empresa nos últimos meses. A intenção era abrir o capital no primeiro semestre, mas a WTorre acabou desistindo por considerar que os investidores pagariam um valor muito baixo pelos papéis naquele momento levando em consideração a soma do valor de seus ativos. A alternativa escolhida, então, foi se desfazer de parte desses ativos. Em junho, por exemplo, a empresa vendeu o estaleiro Rio Grande para a Engevix por R$ 410 milhões.

O problema é que o processo de venda não foi rápido o suficiente para impedir a deterioração do caixa da companhia. No início do mês, a agência Fitch rebaixou a classificação de risco da empresa, alegando "maiores riscos de refinanciamento do grupo no curto prazo e a piora considerável de suas principais medidas de crédito e da liquidez".

Segundo o balanço de junho, a empresa tinha uma dívida de curto prazo (a vencer em 12 meses) de R$780 milhões. A analista da Fitch, Fernanda Rezende, afirma, porém, que a empresa já adotou medidas para aliviar o caixa, como o alongamento de dívidas, além de venda de ativos. "Isso reduziu a pressão de pagamento no curto prazo depois que demos a nota de crédito", diz.

Histórico. A primeira tentativa de abertura de capital da WTorre foi em 2007. A empresa chegou a iniciar o processo, aproveitando a onda de IPOs no País, mas foi surpreendida com o desinteresse dos investidores. Para retomar os planos de ir à bolsa, Walter Torre, o fundador da construtora, contratou Marco Antonio Bologna, que havia acabado de deixar a presidência da TAM. Dois anos antes, ele havia preparado a companhia aérea para a abertura de capital.

Em fevereiro deste ano, a construtora retomou os planos e protocolou o pedido de registro de capital aberto. Desde então, a empresa pediu duas vezes a prorrogação do prazo de definição do IPO.

Liquidez

FERNANDA REZENDE

ANALISTA DA AGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO FITCH "A empresa tem uma boa qualidade de ativos. Sua liquidez deve ser restaurada com a venda de alguns desses ativos e o alongamento da dívida"

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