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Construtoras começam a brigar pela baixa renda no Rio

Apesar das limitações de área para a construção de novos empreendimentos, o mercado imobiliário no Rio passa por uma excelente fase, com um crescimento acima da média nacional. No momento, a disputa travada entre as construtoras é pelas melhores localizações e por projetos residenciais, voltados para a classe média. Para os próximos anos, a tendência é de que a briga esteja voltada para a conquista da população de menor poder aquisitivo.A maior demanda por imóveis está concentrada na classe de menor pode aquisitivo - estima-se que as famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos representem 90% do déficit habitacional. Além disso, à medida que as condições macroeconômicas - taxa de juros e prazos de financiamento - se tornaram mais favoráveis à aquisição de imóveis, muitas empresas de construção passaram a apostar na diversificação de segmentos de renda, ampliando o leque de ofertas da classe alta e média-alta para a classe média, em seguida para a média-baixa e depois para a baixa renda.O movimento começou em São Paulo, mas empresas do setor já começaram a anunciar estratégias para produzir empreendimentos para a baixa renda em outros mercados, como o Rio de Janeiro. A Cyrela Brazil Realty, por exemplo, fechou parcerias em agosto para atuar no segmento econômico. A empresa havia anunciado, em junho, o primeiro lançamento da marca Living, destinado à classe média baixa carioca. Em setembro, a Inpar divulgou parceria com a Tibério Construções e Incorporações para empreendimentos residenciais nos segmentos econômico, médio, médio-alto e alto no Rio de Janeiro, além de São Paulo e do Espírito Santo.A Goldfarb, empresa controlada pela PDG Realty Empreendimentos e Participações, lançará seu primeiro projeto no Rio em dezembro, com Valor Global de Vendas (VGV) de R$ 20 milhões, na Freguesia, bairro desmembrado de Jacarepaguá, na zona Oeste da cidade. O empreendimento terá casas e apartamentos, com valor de R$ 90 mil a R$ 130 mil, e será destinado à classe média com renda mensal de R$ 3 mil a R$ 5 mil, segundo o presidente da Goldfarb, Milton Goldfarb.Em 2008, o mercado fluminense responderá por parcela de 10% a 15% do VGV da empresa, com lançamento de 2 mil unidades. A Goldfarb optou por dar início aos seus empreendimentos na cidade pela classe média por considerar o segmento o mais adequado aos preços dos terrenos disponíveis, de acordo com o executivo. A intenção da empresa é atuar, a princípio, apenas nesse segmento no Rio de Janeiro e, depois de conhecer o mercado local, definir se expandirá seus projetos também para a média-baixa renda.Após a onda de abertura de capital na Bolsa de Valores observada no setor da construção civil, as empresas ficaram mais capitalizadas e, portanto, com condições de capital de giro mais adequadas para o lançamento de novos projetos. De janeiro a agosto de 2007, o volume de crédito imobiliário concedido no mercado carioca cresceu 87% em relação ao mesmo período de 2006, enquanto o nacional avançou 72%, segundo dados do governo federal citados pelo superintendente de crédito imobiliário do Banco Real, Antonio Barbosa.A tendência é de que esse movimento de alta persista nos próximos anos. Segundo o consultor de desenvolvimento urbano da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Davi Cardeman, esse ciclo virtuoso deve continuar por pelo menos dois ou três anos.Terenos valorizadosCom o apetite das construtoras renovado, acirrou-se também a disputa pelas melhores localizações. A concorrência na busca por matéria prima inflacionou o valor dos terrenos na cidade. As áreas mais disputadas continuam sendo as localizadas na zona Sul e na Barra da Tijuca. No caso desse último bairro, que fica na zona Oeste, o número de novos empreendimentos cresceu tanto que há o risco de saturação, na análise do presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado do Rio (Sinduscon-Rio), Roberto Kauffman.Para o vice-presidente do Sindicato de Habitação do Rio (Secovi-RJ), Manoel Maia, a quantidade de oferta de imóveis é resultado de uma "concorrência saudável". Ele observa que o bom cenário no setor do Rio, classificado como "áureo", é reflexo da economia aquecida, com taxas de juros mais baixas, em relação aos anos anteriores.A sustentabilidade desse movimento, no entanto, encontra dificuldades na disponibilidade e localização dos terrenos, principalmente na capital fluminense. Há poucas opções de expansão para os empreendimentos. Os especialistas ressaltam que a cidade não tem planaltos e nem planícies para incorporar novos projetos, assim como não há grandes terrenos disponíveis para grandes empresas. Mas, mesmo com as incertezas sobre onde construir, as empresas parecem dispostas a continuar aproveitando o momento aquecido.

ALESSANDRA SARAIVA E CHIARA QUINTÃO, Agencia Estado

18 de novembro de 2007 | 09h56

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