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Construtoras festejam pacote e refazem planos para 2009

Animadas com o anúncio do plano de 34 bilhões de reais do governo federal para fomentar o mercado de casas populares, construtoras já falam em reavaliar seus investimentos para suprir o provável aumento da demanda.

ALUÍSIO ALVES E CARMEN MUNARI, REUTERS

25 de março de 2009 | 18h58

"Estamos prontos para uma reação rápida que nos permita fazer 55 mil novos lançamentos no prazo de 6 meses a 1 ano", disse à Reuters Paulo Mazzali, diretor financeiro e de Relações com investidores da Tenda.

A companhia, adquirida pela Gafisa em setembro do ano passado em meio aos efeitos da crise internacional, diz ter 70 por cento da receita oriunda da venda de imóveis para clientes com renda de até 10 salários mínimos, alvo do pacote governamental anunciado nesta quarta-feira.

A Rossi Residencial elevou de 30 para 50 por cento a meta de participação desse segmento de mercado nos lançamentos planejados para 2009.

"Com o plano do governo, isso pode ser ainda maior", disse Cassio Audi, diretor de relações com investidores da companhia que, assim como a Tenda, afirma já dispor de uma carteira de terrenos suficiente para suportar a aceleração de novos empreendimentos.

No caso da Tenda, o banco de terrenos permitiria lançar aproximadamente 67,6 mil novas unidades. A Rossi não mencionou o número de unidades que poderia lançar agora, mas disse que seus terrenos disponíveis lhe permitiriam obter vendas de até 20 bilhões de reais.

O plano do governo, previsto para ser operacionalizado a partir de 13 de abril, tem a meta de construir 1 milhão de moradias, sem um prazo definido.

As construtoras consultadas, que disseram ter participado das discussões para a elaboração do plano, informaram também que estão prontas para captar as vantagens do pacote em nível nacional.

Isso porque os recursos serão distribuídos segundo o déficit habitacional do país indicado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o que deve canalizar 37 por cento do montante para a região Sudeste e outros 34 por cento para o Nordeste. O Sul ficará com 12 por cento; o Norte, 10 por cento; e no Centro-oeste, 7 por cento.

A Rossi diz estar presente em 61 cidades do Brasil, enquanto a Tenda afirma já estar operando em todas as regiões do país.

OBRAS EM 3 ANOS

Professor titular da Escola Politécnica da USP, João da Rocha Lima Jr. acredita que as empresas vão poder compensar, com o plano, a retração já experimentada no mercado imobiliário decorrente da crise global.

"O plano habitacional do governo deve repor as metas originais de produção das construtoras, na escala projetada antes da crise. Elas vão chegar perto", disse.

O engenheiro, que coordena o núcleo de Real Estate da Poli, crê ainda que a execução será iniciada daqui a pelo menos seis meses (período para registrar um empreendimento) e projeta três anos para a construção de 1 milhão de moradias populares previstas no programa.

Defendendo que habitação popular é questão do Estado, via concessão de subsídios, como está sendo anunciado, o especialista aponta como dificuldade a oferta de terrenos disponíveis nos grandes centros urbanos e lembra que periferias muito distantes espantam os mutuários.

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