Construtoras otimistas, apesar do ano difícil

O otimismo do setor imobiliário com relação a 2013 contrasta com os resultados pouco satisfatórios de 2012, apontados pela Sondagem Indústria da Construção, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). A pesquisa foi feita entre os dias 3 e 13 de dezembro, com 146 empresas pequenas, 198 médias e 111 grandes. As expectativas favoráveis para os próximos seis meses vêm, em especial, das obras de infraestrutura e do comportamento das companhias de médio porte.

O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2012 | 02h08

A construção civil acaba de ser estimulada por um pacote de benefícios, que incluiu menor tributação de Imposto de Renda, CSLL e PIS-Cofins, pelo Regime Especial de Tributação (RET); redução do custo de impostos sobre a folha de salários; e a concessão de empréstimos a taxas módicas para as empresas que faturam até R$ 50 milhões anuais. Mas esse pacote levará algum tempo para surtir efeito.

Por ora, segundo o levantamento, tanto o nível atual de atividade quanto a atividade em relação à usual e o número de empregados estão abaixo dos 50 pontos, o que caracteriza o campo negativo. A situação atual só é mais animadora nas obras de infraestrutura (52,5 pontos), beneficiadas pelos preparativos para a Copa e a Olimpíada e por grandes projetos urbanos. Ainda assim, o ritmo é inferior ao esperado pelas empresas. Em relação a novembro de 2011, o nível de atividade mensal das pequenas construtoras caiu 2,1 pontos porcentuais, enquanto o das médias declinou 1,7 ponto porcentual e o das grandes aumentou 1,5 ponto. Daí o maior alento dado pelo pacote fiscal às pequenas construtoras, que são as que mais contratam (+1,5 ponto entre outubro e novembro). Além disso, as pequenas são também as mais pessimistas quanto ao futuro e o objetivo do governo é evitar demissões em 2013.

De modo geral, o emprego na construção civil não cresce desde abril, segundo a CNI. Só entre outubro e novembro, acusou um declínio de 2 pontos porcentuais, de 49,6 para 47,6 pontos, por causa de cortes nas grandes companhias.

Em 2013, a construção civil será favorecida com a eliminação de atrasos na entrega de imóveis vendidos na planta e a estabilização dos custos de construção. Em novembro, o sindicato da construção (Secovi) já constatou um aumento expressivo do número de lançamentos, mas, por enquanto, a tendência não é firme.

Afinal, como notou o economista Danilo Garcia, da CNI, a indústria da construção civil "não está imune à desaceleração do resto da economia". E os leves sinais de melhora da atividade ainda não caracterizam uma retomada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.