Construtoras testam a demanda de imóveis

Em setembro, 4.018 imóveis residenciais foram lançados em São Paulo, aumento de 90% em relação a agosto e de 35,6% em relação a setembro de 2013. Os números contrastam com os indicadores negativos sobre o desempenho e as perspectivas da construção civil, evidenciados nas sondagens mensais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Não só as construtoras da capital, mas também as da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) parecem testar o mercado com o aumento da oferta, como se vê nas informações do sindicato da habitação (Secovi) e da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2014 | 02h04

O mercado imobiliário da RMSP parece próximo do fundo do poço. Mesmo com a melhora registrada em setembro, a velocidade das vendas em relação à oferta continuou caindo: se em 12 meses, até setembro de 2013, as vendas correspondiam a 66,9% da oferta de imóveis residenciais novos, em setembro deste ano o porcentual chegou a 47,2%, com declínio ininterrupto desde fevereiro.

Na RMSP, em especial no entorno da capital, a velocidade de vendas também caiu (de 64,7%, em setembro de 2013, para 50,9%, em setembro de 2014), mas superou a de São Paulo.

Entre os meses de setembro de 2013 e de 2014, cederam as vendas de imóveis com um e dois dormitórios e houve leve aumento da comercialização de unidades com três e quatro dormitórios. Mas a produção e as vendas de unidades maiores continuam em patamar baixo, quando se consideram períodos mais longos.

Na capital, as construtoras se preparam para as mudanças introduzidas pelo Plano Diretor, que deverão ter profundas implicações no mercado. Mas, enquanto algumas parecem acelerar os lançamentos de projetos já aprovados, outras tentam livrar-se de estoques elevados.

A estabilização de preços acentua-se, induzindo as empresas a tomar decisões complexas. Em outubro, o índice FipeZap de preços pedidos por imóveis mostrou elevação de 5,88% entre os primeiros dez meses de 2013 e de 2014, ainda acima da inflação, mas em ritmo cadente. Em São Paulo, a alta mensal foi de apenas 0,3%, inferior à inflação de 0,42% medida pelo IPCA, o mesmo ocorrendo no Rio, com alta de 0,35%.

Com a economia estagnada e juros altos, a combinação de preços em desaceleração com custos crescentes implica um indesejável aumento de riscos.

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