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Construtoras vão atrás da riqueza nas cidades do interior

Empresas aumentam a velocidade de lançamentos de imóveis residenciais e comerciais fora do eixo Rio-SP

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2027 | 00h00

A crescente oferta de crédito era o ingrediente que faltava para começar a se desenhar um novo mapa do setor imobiliário. Antes focadas nas capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, construtoras e incorporadoras aliaram o impulso do crédito ao apetite pela expansão e agora migram para cidades de porte médio, onde sobram terrenos. A interiorização da riqueza produzida no País - que cada vez mais espalha-se para além do eixo Rio-SP - também contribuiu para o movimento, trazendo mais compradores para os novos imóveis.''''A construção civil está seguindo outras indústrias que se concentravam no Sudeste e agora se espalham pelo Brasil todo, gerando renda e melhora no padrão de consumo'''', diz a presidente para a América Latina e Central da consultoria Cushman & Wakefield, Celina Antunes. Centro-Oeste, Norte e o interior de São Paulo são algumas das regiões que têm despertado a cobiça das empresas.A investida da Tecnisa no interior paulista é um bom retrato desse interesse. Depois de levantar R$ 791 milhões com a abertura de capital, em fevereiro, a empresa paulista partiu para um movimento de expansão que passa por São José dos Campos, Itu, Suzano, Sorocaba e Mogi Mirim. Antes, ela atuava só na região metropolitana de São Paulo.''''Até o final de 2008, os lançamentos no interior devem representar 45% do total de novos empreendimentos da empresa, ultrapassando a fatia da capital, de 35%'''', afirma o diretor de Relações com Investidores da Tecnisa, Leonardo Paranaguá. Os projetos da construtora no interior de São Paulo somarão cerca de R$ 1 bilhão em Valor Geral de Vendas este ano.''''A renda e o tamanho da população estão crescendo e ganhando um perfil cada vez mais parecido com o da capital'''', diz o diretor. De fato, o surgimento e a transferência de indústrias da capital para o interior, além do boom da produção da cana em terras paulistas, têm inflado a renda local. Segundo projeção da MB Associados, no ano passado o Produto Interno Bruto (PIB) da região totalizou US$ 135,9 bilhões. O valor é, por exemplo, 12% maior que o do PIB chileno, de US$ 121 bilhões.A construtora Rossi está há mais de dez anos no interior paulista. Em 2006, porém, bateu o recorde de lançamentos na região, com 24 empreendimentos em Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto, Sumaré, São Carlos e Valinhos. Segundo o diretor de Negócios, Renato Diniz, os negócios no interior e litoral paulista correspondem a 30% do total, enquanto os da capital representam 20%. Há cinco anos, essa fatia era de 50% na capital, ante 17% no interior. A opção pelo interior, segundo ele, é óbvia. ''''São Paulo concentra um terço da renda nacional, mas a maior parte dela não está na capital, e sim, no interior.''''Outra construtora que ultrapassou os limites da maior cidade do País nos últimos anos foi a Cyrela. Desde a abertura de capital, em março de 2006, foram 15 lançamentos fora do eixo Rio-SP. Seis deles no interior do Estado. ''''Há um público adormecido no interior'''', diz o diretor de Novos Negócios, Antônio Guedes. Um exemplo do ''''despertar'''' desse público pôde ser visto em Jundiaí, onde um empreendimento com 150 casas de médio padrão teve 80% das unidades vendidas em pouco mais de quatro meses. Campinas e São José dos Campos - cidade que tem o terceiro maior PIB do Estado e berço da Embraer - terão lançamentos este ano.ALÉM DE SPA pulverização dos investimentos das construtoras não está restrita às terras paulistas. Em praças mais distantes, grandes empresas do setor imobiliário buscam parcerias com construtoras locais para fazer lançamentos. Na Região Norte, Manaus desponta como o paraíso para as companhias do setor.Segundo o diretor da Câmara Imobiliária do Sindicato das Indústrias de Construção Civil (Sinduscon) do Amazonas, Frank Souza, desde o início de 2006 a cidade ganhou mais de 150 empreendimentos imobiliários, entre prédios residenciais, hotéis e shopping centers - um crescimento de 300% no período. ''''A região vive uma pujança econômica, graças à extensão do prazo da Zona Franca. Além disso, tem baixo índice de verticalização e muito terreno barato'''', explica Souza. Além das gigantes Gafisa e Cyrela, que entraram na região por meio de parcerias com construtoras locais, as paulistas Inpar e Abyara e a mineira Direcional acabam de desembarcar lá.Um dos lançamentos da Gafisa, o Riviera, tem apartamentos com preços entre R$ 1,2 milhão e R$ 2 milhões e vendas recordes nos primeiros três meses. ''''A riqueza não está mais concentrada somente em São Paulo'''', justifica o diretor de Novos Mercados da Gafisa, Antônio Ferreira. Além do interesse nos novos consumidores, a expansão geográfica também é motivada pela necessidade de aumentar a participação no mercado, após a abertura de capital em 2006. Na segunda onda de interiorização estão cidades do Centro-Oeste.

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