Consulta para compra a prazo cresce 14%

Ritmo de expansão em abril foi o mais forte desde setembro de 2008, quando se agravou a[br]crise financeira global

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2010 | 00h00

O ciclo de alta de juros iniciado pelo Banco Central (BC) no mês passado para reduzir o ritmo de consumo ainda não teve efeitos práticos no dia a dia do comércio. As consultas para vendas financiadas cresceram 14% na primeira quinzena deste mês em relação ao mesmo período de 2009 e atingiram, na comparação anual, o maior nível desde setembro 2008, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Em setembro de 2008, quando a crise ainda não tinha afetado as linhas de crédito, o volume de consultas teve um acréscimo de 16,6% na comparação anual.

"O efeito dos juros no varejo será sentido dentro de seis meses", afirma o economista da ACSP, Emílio Alfieri. Ele observa que nesse resultado pesa uma base de comparação muito fraca, que foi maio de 2009. Mas ele pondera que as vendas de TVs por causa do Copa do Mundo e o Dia das Mães impulsionaram o volume de negócios, apesar da elevação dos juros, já que os prazos longos foram mantidos.

A pesquisa revela também que a solvência dos consumidores que optam pelo crediário melhorou. O volume de carnês inadimplentes caiu 2,4% nos primeiros quinze dias deste mês ante igual período de 2009 e a renegociação de dívidas em atraso aumentou 4,2% na comparação anual.

Outro dado divulgado ontem confirma a tendência de que a inadimplência está em queda. De cada 100 cheques apresentados entre janeiro e maio deste ano, 1,91 documentos não foram compensados por falta de fundos, segundo estudo da Serasa Experian com base nos dados do Banco Brasil. É o menor resultado para o primeiro quadrimestre do ano desde 2005. Entre janeiro e abril do ano passado, a inadimplência chegou a 2,33%.

Cheque. O estudo mostra também que o calote do cheque em abril atingiu 1,86% e recuou na comparação com março (2,04%) e com o abril do ano passado (2,22%).

Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa Experian, aponta quatro fatores que contribuíram para os bons resultados da inadimplência: número recorde de contratações de trabalhadores com carteira assinada, aumento da renda, oferta abundante de crédito e a normalização das condições de refinanciamento das dívidas.

Apesar de o cenário atual ser positivo, o economista ressalta que a expectativa para a inadimplência do consumidor no segundo semestre deste ano não é favorável. "O maior endividamento da população associado ao aperto monetário iniciado em abril deve pressionar a inadimplência no segundo semestre", diz.

Segundo Almeida, o próprio indicador de expectativa de inadimplência do consumidor calculado pela Serasa Experian com base em um grande número de variáveis já aponta essa tendência. Uma das evidências é a maior taxa anual de crescimento de vendas a prazo dos últimos 20 meses registrada pela ACSP.

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