Consultas de crédito invadem sua privacidade

Por definição, crédito é a aquisição de dinheiro ou mercadoria através de empréstimo, com previsão de pagamento posterior. Há filtros cada vez mais sofisticados (e em maior número) que dão segurança aos bancos e financeiras. Embora até possa ser justificada pela necessidade de proteção contra os golpistas, a existência desses filtros esbarra numa questão ética: a privacidade do consumidor.Quem solicita o crédito começa a ser analisado a partir do momento em que fornece seu Cadastro de Pessoa Física (CPF), através do qual se obtêm informações detalhadas dos devedores, como débitos em loja, concordatas, falências ou protestos envolvendo o nome do consumidor. "As informações são transmitidas eletronicamente, em três segundos", explica o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti.SofisticaçãoA "investigação" da vida financeira do consumidor é ainda mais sofisticada com o uso da Internet. O site www.cheque-pre.com cruza dados de telefone, endereço (através do CEP), CPF (via Receita Federal) e informações sobre cheques pré-datados. A consulta chega ao requinte de fornecer um perfil dos hábitos de consumo do cliente, já que informa, por exemplo, os valores dos cheques e sua data da emissão, além de realizar um cálculo de probabilidade sobre a capacidade do cliente de honrar os pagamentos. Outro portal, o www.financeiraonline.com.br, desenvolveu um "autorizador automático", ferramenta que permite a financeiras e bancos conceder crédito segundo seus próprios critérios. "O sistema une dados de associações comerciais, Serasa, operadoras de telefonia, para verificar se é um crédito bom", diz Amilcar Colares, sócio-diretor da Tools Software, criadora do site.Já se tornaram comuns os empréstimos pelo sistema de crédito pré-aprovado. O Banco do Brasil, por exemplo, criou um simulador estatístico através do qual o cliente recebe uma pontuação que leva em conta 17 variáveis. "Entre elas estão profïssão, salário, residência e tempo de relacionamento com o banco", diz o gerente-executivo de Varejo do Banco, César Munhoz.

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