Consultor econômico responde dúvidas sobre a crise financeira

O especialista Pedro Raffy Vartanian, professor da Trevisan Escola de Negócios e consultor da Trevisan Consultoria, vai responder às perguntas dos leitores do Portal Estadão e o jornal O Estado de S. Paulo sobre a crise financeira. Os interessados podem enviar suas perguntas para o e-mail pergunta.estado@grupoestado.com.br . Veja algumas questões já respondidas.     Tenho uma poupança. Com a crise, tenho alguma chance de perder o meu dinheiro? Não, se a poupança tiver um volume aplicado de até R$ 60 mil, pois existe um seguro que garante essa quantia. Se a crise econômica, no entanto, provocar a quebra de alguma instituição brasileira, então existe a possibilidade de perda. Vale destacar que é bastante improvável a quebra de uma instituição financeira no Brasil em decorrência da crise.   Vai ter alta no preço da cesta básica? É preciso estocar comida como no passado? Os produtos da cesta básica já subiram nos últimos meses e agora a tendência é de estabilidade. Apesar da alta do dólar que pressiona o preço dos alimentos, a crise mundial deve reduzir a demanda, o que contribui para queda nos preços. O estoque de alimentos deve ser evitado, pois pode acarretar prejuízos (desperdício e perda de validade dos itens).   Bancos públicos tem menos chance de quebrar com a crise financeira internacional? É seguro deixar o dinheiro em bancos multinacionais? O risco de quebra dos bancos é o mesmo, independentemente do fato do banco ser público ou privado. O sistema bancário brasileiro é bem regulamentado e impede que instituições financeiras tenham exposição demasiadamente arriscadas. Além disso, o investidor tem direito ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de até R$ 60 mil em caso de quebra de uma instituição financeira para aplicações em caderneta de poupança e CDBs, entre outras.   Tenho R$20.000,00 pra investir, só que gostaria de resgatá-lo no fim de 2010 para pagar as chaves do meu apartamento. Qual seria o melhor investimento? Pagar as chaves ou investir o dinheiro?  Se no momento o leitor mora em casa alugada, o ideal seria pagar as chaves. Desse modo, o benefício seria superior ao retorno da aplicação.   Investi em uma viagem de estudos ao Canadá. O curso já está pago, mas a passagem em dólar ainda não. Vale a pena seguir em frente? Como já ocorreu o desembolso pelo curso, então vale a pena arcar com o gasto extra ocasionado pela alta do dólar. Se for possível adiar o curso, melhor ainda.   Existe a possibilidade dessa crise diminuir após as eleições dos Estados Unidos? Sim. Embora os indicadores econômicos determinem os rumos da crise, a questão política interfere. Possíveis medidas adotadas pelo novo governo podem minimizar a crise.   Tenho ações da Vale, Petrobrás, Gerdau, Usiminas, Cyrela e Aracruz. Já perdi 50% do capital investido. É hora de sair e realizar o prejuízo ou devo esperar? O investidor só perde de fato se vender as ações na baixa. Recomenda-se, em momentos de baixa, paciência e sangue-frio. A história mostra que, após as crises, as empresas não somente recuperam seu valor como também crescem ainda mais. A bolsa é um investimento de longo prazo, a manutenção das ações deve gerar um retorno maior do que outras aplicações em períodos superiores a cinco anos.

Redação,

14 Outubro 2008 | 12h15

Mais conteúdo sobre:
Crise nos EUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.